Circo Contra Pão?

Constatei ontem que, em variados meios, dos inevitáveis taxistas aos frequentadores de alfarrabistas, passando por homens na rua por identificar, se gerava um concerto de sentenças no sentido de atribuir a cobertura e o interesse do Casamento Inglês, da Beatificação Papal e da solução de Bin Laden a uma imprecisa coligação da Imprensa com os políticos, no propósito sinistro de desviar as atenções "do que realmente interessa". Que coisa fosse este último bicho não se explicava, porém concluía-se que andaria pelas dificuldades promanadas da Crise.
É de bradar aos Céus. Já nem espero de muita gente opinativa que reconheça como realidades do máximo interesse a esperança do consórcio de jovens atraentes com responsabilidades congregadoras pela identificação que promovem, nem a assunção de o Sobrenatural ser possível a Seres melhores que o vulgo, ou ainda a eliminação do inimigo público número um, que só não é tido por tal até ao momento em que uma bomba dele os ameace. O que me deixa de cara à banda é que estes democratas auto-proclamados não admitam à maioria dos outros um critério próprio nas matérias a que prestam atenção. Que os Marxistas carpissem a alienação que lhes adiava a precipitação revolucionária, compreendia-se: era o despeito de agitadores falhados. Nestes, todavia, nenhum nexo tão directo se constata. Talvez se veja neles unicamente a tentativa de impressionar com uma aura de sagacidade pretensamente favorecida por um pessimismo superficial e inconclusivo, através da facilidade da demarcação dos interesses gerais. É o tipo de gente que daria por enganado qualquer um que lhes fizesse ver que nada tem sido mais falado, analisado, debatido e dissecado que a situação económico-social. E que a viragem do olhar das pessoas para episódios mais altos advém em muito da própria saturação daí resultante.

3 comentários:

  1. Amén, Querido Paulo, Amén!
    Beijinho

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  2. Até porque ninguém os fez advogados dos que têm a barriga vazia
    Rudolfo Moreira

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  3. Vamos então em Paz e que o Céu nos acompanhe, Querida Ariel.

    Meu Caro Rudolfo,
    claro que me parece abusivo, sob o manto diáfano da empatia arvorar a nudez do Norte da arbitrariedade.

    Beijinho e abraço

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