O Barrete Que Nos Enfiaram

Como de costume, por importação acéfala de França, onde, bem o sabe Deus, já abundavam os equívocos: pretendendo uma genealogia ilustre, como Napoleão no querer-se descendente de Carlos Magno, ou os Franco-maçons arvorados em "vingadores" dos Templários, para melhor malharem em Trono e Altar, os Revolucionários gauleses diziam ser a barretina vermelha campesina que obrigaram Luís XVI a cingir, durante o assalto às Tulherias, directamente inspirada na dos libertos do Império Romano. Não era exacto, estes  usavam amiúde chapéus cónicos, mas de cores diversas e feitio um pouco diferente. Na Anatólia, sim, foi moda emblemática entre vários povos, mormente os da Frígia, de onde era dado como oriundo o lendário Rei Midas. O mítico talento para criar ouro transmitiu à região uma popularidade impar e terá levado os demais Helenos, cobiçosos, a, generalizando, baptizarem o seu conterrâneo capuz como "Frígio",  com toda a probabilidade por,  à revelia da  racionalidade, esperarem vir a colher de uma cobertura similar. Quem de todo não foi no conto do vigário foi António Sardinha, tratando a peça de vestuário em questão por «barrete grego» em «O VALOR DA RAÇA».
Com os desenvolvimentos eurísticos que testemunhamos, alguém dirá que tais miragens revolucionárias e auríferas não foram premonitoriamente percebidas pelo Tratadista de Monforte? A dose que nos impingiram desta burla, intensificando as desgraças pretéritas do Vintismo e se 1834, surgiu, exactissimamente com o mesmo símbolo, em 5 de Outubro de 1910.

2 comentários:

  1. Muito obrigado, Caríssimo João.

    Forte abraço, de embarretado para Embarretado, malgré nous.

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