Verdade Nua e Crua

Como é perigosa a rendição incondicional à literalidade! Até agora, o caso mais emblemático era o de uma comunidade religiosa muito minoritária que, tomando na sua imediata dimensão a passagem de S. Marcos onde se ordena que brandam serpentes, realizava umas reuniões rituais estranhas, com os participantes obedientemente apertando cobras vivas entre as mãos. Agora, temos o problema da Imprensa. Recomendaram-lhes que, sempre que os intereses hipócritas os mandassem calar em assuntos sérios e inconvenientes, gritassem «o Rei vai nu!». Pois estas luminárias pensaram que era para tomar à letra o conselho e, na indisponibilidade de um Soberano para o strip, alegremente chafurdaram nas brincadeiras atrevidas da juventude de um Príncipe, apregoando-lhe essa pouco alegórica nudez. Que admira que os súbditos não hajam sido sensíveis à proeza denunciante dos pseudo-jornalistas?

A Indefinição do Artigo



O passamento de Neil Armstrong reavivou-nos a memória sobre o Herói, uma das pessoas menos aluadas que saltaram para a ribalta, apesar da circunstância com que teve de conviver e o celebrizou. A correcção que, insistentemente, aduziu, de ter transmitido a impressão de ser o seu um pequeno passo para um homem e não, como passou à História, para o Homem, revela a renitência em, para lá dos aparelhos de ponta que pilotou, se deixar transportar pela embriaguez à base da própria glória. Ao recusar a personificação da Espécie no seu acto, introduziu uma travagem à sede de identificação com a Excelência e a superação de limites a que a maior parte dos humanos dispondo de tempo e interesse sucumbem. A mitificação generosa da viagem lunar havia, de resto, sido preparada pelos pioneiros do desembarque no satélite saídos da concepção de Hergé, os quais conviverão muito melhor com os holofotes e o simbolismo, estando, como estão, isentos de envelhecer e morrer. Já há quem reclame uma sepultura lunar para o Insigne Desaparecido. É estimável como projecto de homenagem, mas seria uma completa incongruência com a personalidade do Comandante da Apolo 11. «Cinzas às cinzas, Pó ao pó», como qualquer forma de inumação terrena, será muito mais consentânea com a essência cíclica de parte da condição que, dos feitos ao fim, é a dos nossos Melhores.

As Quatro Penas do Pavão

No momento em que se aguarda a sentença de Breivik, cumpre olhar a loucura envolvente nas penas em compita. O Gabarola homicida pede para si a Morte, que a sociedade mentalmente incapaz em que vive não lhe pode dar. Restam 21 anos de férias prisionais, com cela especial e espaço acrescentado, a mesma pena prolongada por razões de segurança e o internamento psiquiátrico. A primeira é fruto da alienação dos penalistas que, na Escandinávia como neste Jardim à beira-mar plantado, vamos tendo de aturar. Dar vinte anitos quase redondos a um premeditadíssimo assassino em massa é sofrer da doença psíquica que faz não reconhecer a proporcionalidade da culpa. Estender-lhe o encarceramento não cabe em qualquer lógica: a triste vedeta deste julgamento está satisfeitíssima da vida com os resultados que alcançou e não há sinais de que pretenda acrescentar currículo. Logo, só pode ser sancionado pelo Passado, não por representar perigo para o Futuro. Por fim, a loucura de declarar o arguido louco. Estamos, verdadeiramente, perante o caso em que o mentalmente incapaz considera os outros "os verdadeiros malucos". No caso, uma sociedade inepta no que toca a lidar com o crime mais repelente e que, para lá da verborreia televisiva, no íntimo, considera pior a inflicção de penas do que os factos que lhes dão azo, sem perceber que não é igual nem parecido despachar criminoso encartado ou matar  a frio inocentes.
Mais do que o expediente rotineiro de defensores sem capacidade de maior, a invocação da loucura faz aqui de consenso para qualificar o Mal com que se não consegue conviver, por partir do preconceito apatetado de que um membro da espécie não pode ser desumano a partir de um certo ponto. Ou seja, uma consagração da insanidade no caso vertente seria um meio tosco de a comunidade se tranquilizar quanto a uma inocência de que está desprovida. Só por isso se abstrai de que o estado de saúde cerebral do criminoso apenas seria relevante se o fizesse incapaz de reconhecer a distinção entre o Bem e o Mal, que, mesmo para as concepções mais laicas e indiferentistas, subsiste como pedra angular da colectividade. Quando pôs a bomba em Oslo o maçon homicida conseguiu muito mais do que matar pessoas, criar uma manobra de diversão e atacar o Governo: fez explodir a ficção de Justiça que nos rodeia. A pintura é de David Teniers o Jovem, A Remoção Cirúrgica da Pedra da Loucura

Até à Vista, Comandante!

O Comandante Vicente de Moura, Pessoa de afabilidade exemplar com quem, há uns anos, tive a honra de trocar breves palavras, vai largar o leme das participações olímpicas lusas e sugere, para aumentar a dimensão do Desporto nacional, uma «Mocidade Portuguesa despolitizada». Enfim, não posso concordar com a perspectiva de uma reedição asséptica desse grande enquadramento juvenil vir a trazer-nos algo de bom: a grandeza e importância do legado educativo dela estavam no cimentar da camaradagem e unidade acima de f(r)acções infra-nacionais, precisamente o contrário do que o espírito de concorrência, quer na Economia quer nas competições profissionalizadas, pretende implementar. O Regime que nos emagrece não tem lugar para um referencial gregário, salvo na embriaguês efémera das fugazes lides das selecções. Tendo-se extinto também o Remo da MP, não sobra uma alternativa de tão grata memória para remar contra a maré.

Mais Tintin na História


No ano passado, a revista francesa “Historia” e o jornal “Le Point” publicaram um número especial, em formato de álbum, onde são retratados momentos-chave do século XX que inspiraram a obra de Hergé e a criação de várias das personagens que habitam no universo de um dos mais famosos e apreciados heróis da banda desenhada. Talvez motivado pelo grande sucesso deste lançamento, os editores decidiram repetir a dose e publicar “Les personnages de Tintin dans l'histoire vol. 2” (encadernado, 130 páginas, 10,90 euros). Este segundo volume está disponível nas bancas portuguesas, reúne como autores vários historiadores, académicos e jornalistas e está dividido em capítulos que associam cada aventura de Tintin com uma personagem e um artigo sobre o período histórico no qual se insere.

Das dez personagens escolhidas, vejamos alguns exemplos. O primeiro álbum tratado é “Tintin na América”, e a personagem de Al Capone, inspirada na proibição do álcool nos EUA. Já em “A Estrela Misteriosa”, e escolhido é Philippulus e o tema são as viagens ao Pólo Norte. Depois, em “As Sete Bolas de Cristal”, descobrimos Bergamotte e viajamos ao Império Inca. Em “Objectivo Lua”, ficamos a conhecer Wolff e a saber mais sobre o projecto de conquista espacial alemã que nasceu nos anos 30. Mas o principal destaque vai naturalmente para o português Senhor Oliveira da Figueira, associado à aventura “Carvão no Porão”.

Este livro inclui ainda um artigo sobre a arte em Hergé e outro sobre o ‘affaire’ Legros. Por fim, os interessados em aprofundar os temas tratados podem recorrer às duas breves bibliografias, uma com obras sobre os momentos históricos referidos e outra sobre o mundo de Tintin.

Bastante interessante para os entusiastas de um dos nomes maiores da banda desenhada franco-belga, este é mais um álbum obrigatório na colecção de qualquer tintinófilo.

Visita para hoje

Jogo para hoje


Poema para hoje

Rosácea d'Aljubarrota


À vista do Mosteiro
da Batalha
— há conquista
que resista,
há lá guerreiro
que valha?!...

... Deixai, então, que vos fale
(— porque me dá cuidado
e por mais nada!)
d'aqueloutro Portugal
talhado à espada
e condenado, afinal,
a não ser nada... —

... Sala d'aula do Além,
anfiteatro do Mar,
— que ninguém, que já ninguém
hoje vem
contemplar...


Rodrigo Emílio
in "Poemas de Braço ao Alto", 1982.

Cromo para hoje


Cassiano

Uma óptima surpresa foi encontrar hoje na página principal do Google a imagem do Portugal dos Pequenitos, a propósito do aniversário de Cassiano Branco.


Ainda na semana passada passei em frente ao Éden e lembrei-me do que escrevi a propósito de um livro sobre este arquitecto genial: «Pena que tenham escolhido para a capa uma imagem (talvez demonstrativa daquilo a que chegámos) do Éden Teatro "recuperado". Um abastardamento que passou por pôr palmeiras no interior. Algo a fazer lembrar o "Mundo Perdido"... Só falta um pterodáctilo a voar!»

Heróis da piscina, nobre povo


Se Michael Phelps fosse português (género Obikwelu, versão caucasiana), existiriam por cá ruas Michael Phelps, avenidas Michael Phelps e alamedas Michael Phelps, para além de praças, esplanadas, auditórios, bibliotecas, cine-teatros, hospitais, ginásios, escolas, pontes e até centros comerciais (sob a marca registada "Phelpshopping").
Em postais distintos, os bloguistas lusos esfregariam nas ventas da troika as vitórias do campeão como prova irrefutável do acerto português e da superioridade de Keynes.
O Presidente da República ver-se-ia obrigado a contratar mais um assessor de imprensa, por coincidência primo do actual, só para escrever os comunicados laudatórios. E em cada 10 de Junho seria já o próprio Phelps a impor as comendas de mérito nos pescoços derreados de tanto mourejador pela Pátria.
Os jornais divulgariam, com indisfarçável incómodo, os escândalos da Fundação Michael Phelps, tomada de videirinhos e comissários políticos. As revistas esquadrinhariam a intimidade do nadador – e Lili Caneças, campeã olímpica da vida cor-de-rosa, viria em socorro do atleta com sentença aforística: «Viver a nadar é o contrário de morrer afogado».
Por força da popularidade crescente, o atleta figuraria no cartaz dos carnavais de Ovar ou Torres Vedras, de bóia e braçadeiras em cima de um carro de lavoura, como rei do corso.  
Um grupo de intelectuais, sempre a farejar o "desenvolvimento" e o "progresso", exigiria em manifesto um tanque de 50 metros por cada freguesia como novo "desígnio nacional".
No parlamento, uma comissão de especialistas discutiria, com ar solene e solerte, a mudança da própria bandeira: em lugar da esfera armilar, uma piscina olímpica; em vez das 5 quinas, 8 pistas de natação.
Em séculos de história marítima, nadaríamos assim do herói de elmo e espada para o herói de calção e touca de banho. O progresso é acalorado, meus amigos. Não suporta armaduras nem roupa apertada.

A Braços Com os Olímpicos

Na sequência do magnífico postal do BOS que precede, gostava de relembrar alguns dados que poderão esclarecer equívocos comuns em torno dos braços estendidos no Olimpismo. A saudação em si não era conotada, à partida, com uma ideologia. Os Escuteiros usavam-na, como mostra a fotografia de cima; e ainda subsiste em muitos países, nalgumas solenidades militares, como no Juramento de Bandeira, por cá. Já nos EUA, fora instituída, por força da acção de Francis Bellamy ainda no Séc. XIX, como a saudação civil à bandeira, ensinada e exortada nas democratíssimas escolas da Federação. Pode parecer estranho, sabendo-se que nos States aos civis e a militares à paisana ou descobertos também é permitida a continência castrense. Mas há uma razão - não o é em todos os ramos, a Marinha não o consente, logo impunha-se um símbolo de universalidade maior. Só em pleno conflito mundial, em 1942, o Congresso Americano, com puritanismo típico, aprovou resolução formal de a substituir pela mãozinha no coração que, hoje, vemos nos atletas medalhados de tais paragens e da qual temos de suportar a macaqueação por juventudes europeias ignaras e inocentes, que nem desconfiam de o gesto, por cá, ser apanágio de Maçonarias...


No Olimpismo, era a saudação habitual. Em vários Jogos atletas Franceses, Holandeses, Canadianos, entre outros, a adoptaram e ficou mesmo consagrada nos selos oficiais alusivos ao certame de 1924, em Paris. O próprio Jesse Owens se preparava para estender o braço, como lhe haviam ensinado em miúdo, até que algum elemento mais politizado da delegação Norte-Americana lhe sugeriu que, para evitar equívocos, levasse antes a mão à testa, mesmo carecida de pala. Ficou, sobreviva à avalanche do politicamente correcto, a estátua da Saudação Olímpica, pela Escultora Gra Rueb, em homenagem a um membro do Comité Holandês correspondente. Até quando se aguentará num mundo decadente onde, salvo no esbracejar preso a estas insignificâncias, «olímpico/a» passou a crismar o substantivo "indiferença" em vez de, como seria lógico, continuar a qualificar o esforço?

 

A Carta Olímpica e a extrema-direita

A remadora alemã Nadja Drygalla, após uma reunião com o Comité Olímpico da Alemanha, abandonou a aldeia olímpica depois de a imprensa do seu país ter noticiado que o namorado é militante da extrema-direita. Parece que a ideologia do rapaz põe em causa o compromisso da atleta com a Carta Olímpica. 
Nadja Drygalla

Em 1936 os Jogos Olímpicos realizaram-se em Berlim, capital da Alemanha nazi de Adolf Hitler. Já havia Carta Olímpica, porventura em versão nem corrigida nem aumentada. Pela primeira vez a tocha saiu de Atenas para a sede da competição. A chama viajou durante 11 dias até chegar ao estádio de Berlim. Na cerimónia de abertura, Hitler recebeu das mãos de Spyridon Louis, campeão grego da maratona dos Jogos de 1896, um ramo de oliveira colhido em Olímpia.  
Hitler e Spyridon Louis

Os jogos berlinenses ficaram marcados pelas técnicas inovadoras de Leni Riefen­stahl, o escândalo de Dora Ratjen (a lembrar as mulheres-homens de hoje) e os mitos sobre Jesse Owens. Ao contrário do que costuma ser difundido pela "imprensa de referência", as quatro medalhas de ouro conquistadas pelo atleta norte-americano não causaram o menor engulho ao chanceler alemão. É o próprio Owens quem o confirma na sua autobiografia: "Quando passei pela tribuna do chanceler [Hitler], ele levantou-se e acenou-me com a mão" (The Jesse Owens Story, 1970).
Após os Jogos, Jesse Owens andou mesmo em tournée pela Alemanha, recebido e homenageado em diversas cidades. Fartou-se de dar autógrafos. Mal recebido foi ele no seu próprio país, obrigado a viajar nos bancos traseiros dos autocarros, que os da frente destinavam-se exclusivamente a brancos. Queixava-se Owens que não teve direito a convite para a Casa Branca. Pensava, decerto por ingenuidade, que o edifício fora crismado desse feitio só por causa da cor das paredes. Owens era preto, neto de escravos, considerado impuro para estender a mão ao democrático Franklin D. Roosevelt, que em véspera de eleições não queria ferir as susceptibilidades raciais dos eleitores sulistas.
Long aconselha Owens em pleno Estádio Olímpico
A forma como Owens conquistou a medalha de ouro na prova de salto em comprimento merece ser contada. Durante a prova de qualificação, o alemão Luz Long, principal adversário de Owens, já tinha a presença na final assegurada. Owens, por seu lado, estava à beira da eliminação, após dois saltos nulos. Foi aí que se deu uma extraordinária manifestação de desportivismo (hoje diz-se fair play). Long abeirou-se de Owens e aconselhou-o a mudar a técnica de salto. Owens concordou e teve sucesso. Resultado? Na final, conquistou aquela que seria a sua quarta medalha de ouro, enquanto Luz ficou em segundo lugar. Saíram da pista juntos, o braço do nazi de olhos azuis por cima dos ombros do negro do Alabama. Por este gesto, Luz Long recebeu a título póstumo a medalha Pierre de Coubertin, concedida pelo Comité Olímpico Internacional a atletas que demonstrem um elevado desportivismo e espírito olímpico. Morreu em combate na II Guerra Mundial, vítima dos bombardeamentos dos Aliados.
Jesse Owens no pódio, vencedor da prova de salto em comprimento. De braço ao alto, Luz Long. Nos nossos dias o atleta alemão seria certamente afastado dos Jogos.
Pierre de Coubertin (conhecido como barão de Coubertin), pedagogo e historiador francês, foi o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna. As suas ideias sobre cultura física abonavam o programa nacional-socialista. Asseverava ele: "Há duas raças distintas: a do homem de olhar franco, com músculos fortes, com desenvolvimento assegurado, e a do doentio, de semblante resignado e humilde, e ar vencido". E de modo mais impressivo, registava: "Cinzelando o seu corpo pelo exercício, como faz um escultor numa estátua, o atleta antigo adorava os deuses. Fazendo o mesmo, o atleta moderno exalta a sua pátria, a sua raça, a sua bandeira".
Aos detractores da organização berlinense, respondeu o barão no jornal L’Auto, a 4 de Setembro de 1936: "O ideal olímpico foi sacrificado à propaganda? Isso é inteiramente falso. Os Jogos de Berlim serviram magnificamente o ideal olímpico". O francês manteve-se como Presidente Honorário do Comité Olímpico Internacional até à sua morte, em 1937. Talvez hoje o pobre Coubertin, tal como Luz Long, fosse banido da competição que ele próprio recriou. Não conheço o traçado actual da Carta Olímpica, porventura grafado por Vital Moreira ou outro jurista de alta competição. Provavelmente o notável documento já consagra a via para o socialismo, o antifascismo e o estabelecimento de uma sociedade sem classes. A ser assim, é a própria Carta que nega o espírito olímpico. 

Psicanálise

«No geral, não há nada a dizer sobre mulheres sujeitas a estas sessões. Uma mulher entregue às mãos de psicanalistas fica definitivamente impró­pria para uso, o que vim a constatar inúmeras vezes. Este fenómeno não deve ser considerado como um efeito secundário da psicanálise, mas sim como a causa principal. Sobre o pretexto da reconstrução do eu, os psicanalistas procedem na verdade a uma escandalosa destruição do ser humano. Inocência, generosidade, pureza... tudo isto é rapidamen­te triturado por entre essas mãos grosseiras. Os psicanalistas, regala­damente remunerados, pretensiosos e estúpidos, exterminam de modo conclusivo toda a aptidão para o amor nos seus pacientes, tanto mental como física; comportam-se com efeito como verdadeiros inimigos da humanidade. Impiedosa escola de egoísmo, a psicanálise está apetrecha­da com o maior dos cinismos à conta das corajosas raparigas miseráveis para as transformar em ignóbeis parvalhonas de egocentrismo delirante, que pode apenas suscitar a mais profunda agonia. Não se deve confiar, qualquer que seja o caso, numa mulher que tenha passado pelas mãos de um psicanalista. A mesquinhez, o egoísmo, o disparate arrogante, a completa falta de sentido moral, a incapacidade crónica de amar: eis o retrato exaustivo de uma mulher “psicanalizada”.»

Michel Houellebecq
in “Extensão do Domínio da Luta”.

Don't cry for me (old) Argentina


Luanda? Rio de Janeiro? Lisboa? Londres? Paris?... Não! É a nova Buenos Aires.  Sempre tive a esperança de que a Argentina voltaria a ser como Europa - a de hoje, é claro.

De cabeceira


Não, os elementos empíricos que sustentam esta teoria não foram recolhidos no Portugal da abrilada ´74 nem no que dele resta, vendido aos bocados pelos próprios coveiros. Mas bem que podia ter sido... Que me perdoe Georg Jellinek, mas parece valer mais que a sua teoria geral do Estado.

Pega de automóveis



Agora que as touradas estão praticamente proibidas pelos “amigos dos animais”, a esquerda festiva adoptou a pega de automóveis. O sindicalista da cara imobiliza a viatura à força de braços, acolitado pelos ajudas do PCP. Atrás deles exerce o rabejador, decerto engalanado com a bandeira arco-íris. Em fundo, o toque de cornetim tange A Internacional.
Este episódio da Covilhã lembra aquela cena do magnífico «Un singe en hiver», de Antoine Blondin, quando o maluco do Gabriel Fouquet se pôs a tourear automóveis na rotunda.   

Elogio do imaginário


É este o tema do amplo ‘dossier’ que a revista francesa “Magazine Littéraire” deste mês dedica ao escritor argentino Jorge Luis Borges. Dos vários artigos que lhe são dedicados, destaque para “O outro Senhor dos Anéis”, de Vincent Ferré, sobre o interesse de Borges pela mitologia nórdica, e”A Internet antes de tempo“, de Luc Vigier, que vê na “Biblioteca de Babel”, com todas as suas ligações e trocas, um admirável modelo para a Internet. Para além de outros artigos, inclui ainda uma cronologia, uma entrevista com Alberto Manguel, subordinada ao tema “O mundo como livro e o sagrado do leitor”, e cinco textos do próprio Borges.

Fora do ‘dossier’, referência para a interessante reflexão subordinada ao tema “Podemos aprender a emancipar-nos?” e a grande entrevista com o filósofo francês Michel Onfray. Destaque para o artigo sobre o nascimento da ‘Beat Generation’, concretamente sobre o romance escrito em 1945 por Jack Keruoac e William S. Burroughs, “And the Hippos Were Boiled in Their Tanks”, mas que só foi publicado pela primeira vez em 2008.

Passagem

Inaugurada no passado dia 6 de Junho, num evento por onde passaram cerca de 500 pessoas, a exposição “Foto-Síntese” estará patente até 1 de Julho na Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa. É o regresso de João Marchante às exposições, confirmando-o como um dos grandes talentos da fotografia contemporânea no nosso país.






Como se julga o trabalho de um Amigo? Com a maior das exigências e o mesmo sentido de justiça. A resposta é para mim tão óbvia como imediata. Mas, vivendo no que é para muitos (demasiados)o “país das cunhas”, impõe-se um esclarecimento. Conheço o João há muitos anos e o encontro com este homem de cultura, com o qual rapidamente me identifiquei em tantas paixões comuns, como os livros, o cinema ou a fotografia, gerou uma amizade da qual muito me orgulho. Sempre fui um apreciador do seu trabalho de fotografia artística. A sua genuinidade, aliada a uma genialidade provocatória, conquistaram-me. Naturalmente, estava ansioso por esta exposição e com as expectativas bastante elevadas, mas não me desiludi.

Pelo contrário, vi, revi e vivi aquela série maravilhosa. Entrei nas fotografias pela minha porta, por aquela interpretação egoísta que nos exalta verdadeiramente o sentir. Dei conta das minhas impressões ao autor, conversámos, concordámos e discordámos. Apenas houve um ponto de encontro total: faltava ali um Amigo comum que infelizmente já deixou o mundo dos vivos…

O espaço da exposição não podia ser mais apropriado, já que o ambiente ‘rough’ das paredes em cimento se conjuga na perfeição com o grão das imagens, conseguidas com uma câmara Polaroid, recorrendo à película fabricada pela Impossible Project. Têm todas 100 x 124 cm e estão correctamente iluminadas. Ao entrar na sala percebemos instintivamente como se entra naquele percurso para o qual o João nos convida através da sua musa.

Cada fotografia é um verbo, uma acção, e, assim, vamos interagindo e aproximando-nos,em dez passos. Há uma ideia de transição nestas imagens de uma figura feminina que parece fazer a passagem à idade adulta. Mas não se fica por aí. Certas situações, certos objectos, certas perspectivas, certos pormenores, sugerem também uma passagem à idade dos adultos. A um tempo ao qual seria impossível chegar, da mesma forma que não podemos chegar totalmente àquelas imagens a cores com um aspecto anos 60, mas tiradas hoje. Há o encontro de dois mundos, com várias janelas por onde podemos espreitar e poucas portas por onde tentar entrar.

Da intromissão de “Filmar” à submissão de “Ver”, há uma provocação progressiva que nos conduz implacavelmente num crescendo sensorial. Um percurso quase inebriante, no qual nos deixamos levar para onde queremos. Uma experiência que não podemos de forma alguma perder.

O João Marchante, para além de fotógrafo, é realizador, autor e professor, leccionando actualmente Imagem e Estética na ETIC. Não expunha fotografia desde 2007… Como valeu a pena a espera!

Referência histórica


Como habitualmente, recomendo esta revista que é uma referência na divulgação histórica. “La Nouvelle Revue d’Histoire”, dirigida por Dominique Venner, está disponível nas bancas nacionais e é de leitura obrigatória para os apaixonados por esta disciplina fascinante.

O número 60, referente aos meses de Maio e Junho, actualmente em quiosque, tem como tema central as “Campanhas da Rússia” e oferece um excelente ‘dossier’, com diversos artigos, entrevistas e cronologias. Para além da invasão napoleónica de 1812 e da Operação Barbarossa ordenada por Hitler, em 1941, e de Estalinegrado, em 1942, o destaque vai para a atenção dada à nova Rússia e à sua geopolítica. Como afirma Dominique Venner no seu editorial: “Pedimos ao passado para esclarecer o presente”.

Uma nota especial vai para a excelente entrevista com o romancista profético Jean Raspail, que aqui revela as fontes históricas da sua inspiração. Escritor e explorador, é autor de uma vasta obra onde se inclui o romance visionário, saído em 1973, “Le Camp des Saints”, que no nosso país foi publicado pela Europa-América, em 1977, com o título “Mortos: 200 Milhões - Todos Nós”.

Destaque ainda para o artigo sobre o recém-falecido Hervé Couteau-Bégarie, professor que reagiu contra o anti-militarismo da Universidade francesa e renovou o pensamento estratégico em França. Também de referir os artigos sobre Hjalmar Schacht, explicando como um conservador se tornou o improvável ministro da Economia de Hitler, e sobre Pierre Schoendoerffer, autor e admirável realizador de cinema que filmou a guerra e que faleceu recentemente. Para além de outros artigos e entrevistas, a revista inclui ainda um passatempo, criticas a livros, novidades e a crónica habitual de Péroncel-Hugoz.

DA MINHA NOVA EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL DE FOTOGRAFIA

Acabei de chegar da inauguração da minha nova exposição individual de fotografia. Entre as 9 da noite e a 1 da manhã passaram por lá mais de 500 familiares, amigos, conhecidos, artistas, cinéfilos, e etc e tal. Ficarão para sempre ligados a um dos mais importantes dias da minha vida. Não tenho mais palavras. Bem-hajam!

As três idades do Arquitecto

É impossível pensar na Casa Portuguesa sem pensar em Raul Lino. Homem da cultura e das artes, amava a Pátria e a Natureza e procurou sempre uma identidade arquitectónica nacional. Bernardo d’Orey Manoel, arquitecto e docente na Universidade Lusíada de Lisboa, procura os “Fundamentos da Arquitectura em Raul Lino” através das três casas que o próprio projectou para viver com a família. São: “Três casas. Três obras de arte. Um só arquitecto. Uma vida.”



O autor divide esta obra em três capítulos, referentes às casas onde Raul Lino viveu, que para ele correspondem aos estádios propostos por Kiekegaard para descobrir o sentido da existência: estético, ético e religioso.

O primeiro trata da Casa do Cipreste. Para Bernardo d’Orey Manoel, esta “é o sonho de um jovem. É um sistema construído, um edifício de transições, conflitos, emoções, um jogo de luz. É a vida de Raul Lino inscrita na pedra, porque a paixão deixa sempre marcas. Funciona como um todo, um todo vivo. Tudo nasce no pátio. É a partir da intimidade deste pátio que todo o outro espaço se organiza, quer seja o espaço construído quer o espaço conquistado. O gesto do arquitecto instituiu um mundo novo”.

O segundo leva-nos às Azenhas do Mar e à Casa do Marco, aquela que Raul Lino decidiu construir porque achou que as suas filhas precisavam de sol. Este é, assim, “o abrigo de descanso do guerreiro e da sua família na mãe-natureza. A casa, as plantas, a arriba, o céu e o mar constroem momentos de relação. É a possibilidade do exercício da liberdade, expressão da ética na sua autenticidade. Uma casa da tradição portuguesa, que espreita o oceano e resiste ao vento. Integra as plantas no seu espaço, na construção do seu próprio mundo”. Mas o autor vai mais longe e afirma que esta “pode bem ser a casa portuguesa que Raul Lino perseguia”.

Por último, a Casa da Rua Feio Terenas, em Lisboa. Projectada e construída quando as filhas de Raul Lino estavam já casadas, “é um gesto amadurecido, sentido das coisas, verdadeira sustentabilidade da arquitectura em que tradição e modernidade se entrelaçam no acontecer. No interior da cidade a intimidade, o saber, os valores, o modo cuidado de Raul Lino fazer arquitectura. É o seu estilo em pedra transfigurado”.

Bem alicerçado nas fontes, em especial no Arquivo da Família de Raul Lino, este livro oferece-nos ainda vários Anexos que o enriquecem. Estes incluem uma bibliografia, uma cronologia ilustrada, alguns textos inéditos de Raul Lino e várias imagens referentes às três casas tratadas.

Em termos da edição, o livro está bem composto e bastante ilustrado com fotografias e reproduções das plantas. Pena que não se tivesse feito uma edição em formato maior que privilegiasse o aspecto gráfico, já que este trabalho daria um óptimo álbum.

Mas sabemos como os custos limitam as edições, principalmente as universitárias. Apesar deste pormenor, a Universidade Lusíada Editora está de parabéns pela publicação deste trabalho, tão útil para melhor chegarmos até um dos maiores arquitectos nacionais.

Neste trabalho vemos as três idades de um arquitecto e de um homem de raro talento que marcou para sempre a Arquitectura portuguesa. Como escreveu Raul Lino: “A Arquitectura, por ser uma Arte do corpo social, reflecte sempre a cultura do espírito de uma época. As suas obras representam um estado colectivo visto através de um temperamento individual”.

Livro do dia


«Repelir o invasor, restaurar as ruínas — tornavam-se assim motivações nacionais cada vez mais fortes e imperiosas. Motivação negativa, "contra", a primeira, e positiva, "a favor", a segunda. Mas ambas implicavam uma terceira, bem forte e sensível também, que no fundo a ambas por igual englobava.

Efectivamente: por um lado, políticos e intelectuais (desiludidos, uns; adversários de sempre, outros) combatiam no sistema o seu afastamento dos valores centrais da sociedade portuguesa, o alheamento em que os responsáveis se mantinham de quanto era profundamente nacional ("os portugueses estrangeiros que nos desgovernam", a quem se referia Fernando Pessoa em 1912); por outro lado, a grande massa da população, desentendida das altas especulações da filosofia política e dos bastidores da governação, sentia que no fundo os seus males vinham daí, de se ter dado prioridade a subalternos interesses partidários perante os superiores interesses nacionais, de se anteporem, às concretas necessidades das realidades próprias, preocupações de abstractos esquemas políticos alheios.

Dessa forma, excluída a minoria dos políticos profissionais, todo o País desejava ardentemente que a Nação recuperasse os seus direitos — havia tanto tempo e tão criminosamente postergados. Algumas instituições, por definição mais sensíveis — em especial — ou à superioridade do conceito de Pátria sobre meras perspectivas parcelares (como as Forças Armadas) ou à consideração da primazia dos valores morais (como a hierarquia da Igreja) ou às exigências da razão e da inteligência (como a Universidade e a Imprensa) ou às preocupações da justiça (como a Magistratura), tinham chegado a essa conclusão geral com mais aguda consciência da restauração necessária e, chegado o momento, não deixariam de contribuir decisivamente — cada um a seu modo — para vertebrar o consenso popular em favor de qualquer movimento político disposto a sobrepor o bem comum aos privilégios particulares, o conceito integrador de Nação à acção desintegradora dos partidos políticos.

De tal forma — ao fim de um século de parlamentarismo, primeiro monárquico e depois republicano — se havia identificado o sistema político cristalizado na Carta Constitucional do Imperador D. Pedro com a ideia de que se tratava de modas e fórmulas estrangeiras importadas, por tal modo a degradação e as carências materiais generalizadas humilhavam e ofendiam o orgulho nacional, que ambas as correntes de opinião — a que era movida pela ânsia de se libertar daquela imposição como a que se sentia estimulada pela nobre ambição de sanar estas feridas e mutilações operadas no corpo da Nação — vinham a convergir num renovado patriotismo, ao mesmo tempo racionado e emocional.

Em tempos del-Rei D. Pedro V, as primeiras tímidas iniciativas de fomento haviam despertado uns primeiros lampejos desse patriotismo sempre latente mas, desde os "afrancesados" de princípios do século, quase troçado como coisa de "cavernícolas" e analfabetos; com os africanos del-Rei D. Carlos, esse patriotismo profundo vivera algumas das suas horas altas; mas esse sentimento instintivo do povo português, depressa se via de novo frustrado e abatido pela mediocridade e a chateza da agitação partidária, cada vez mais vazia de sentido.

Era um terceiro componente do ambiente pré-revolucionário que estava também a chegar ao ponto de ruptura, ao limite para além do qual se tornava inevitável (e de imprevisíveis consequências) a explosão. Anos mais tarde viria a condensar-se essa aspiração aguilhoante e incoercível num lema que se popularizou: "Tudo pela Nação, nada contra a Nação". Mais do que uma linha de orientação, a fórmula resumia o que havia sido a síntese de todas as motivações anteriores: o movimento político esperado por tudo quanto no País se mantinha imune às politiquices rasteiras dos partidos havia de responder, na essência, a esse imperativo fundamental: era cada vez mais urgente reaportuguesar Portugal.»

Eduardo Freitas da Costa
in "História do 28 de Maio", Edições do Templo, 1979.

Desculpas no Cartório

Como são trazidas a lume muitas dúvidas acerca da culpabilidade exclusiva ou primordial do mordomo do Vaticano detido por uma espionagem tosca traduzida em desvios de documentação, espero que o motivo inconsciente dela não haja sido a procura da saída mais fácil, consubstanciada no lugar-comum de que o culpado é sempre o mordomo.
Até porque também as ideias feitas são como as cerejas, atrás de uma vem facilmente outra; e já antevejo um qualquer advogado preguiçoso a defender o eventual arguido com base na balela de que a culpa de qualquer crime não é do seu autor, mas da Sociedade...

Portugal e o Estado

Diariamente ouvimos falar no Estado, provavelmente nunca nos questionando acerca da sua origem mais remota.”O Estado em Portugal (séculos XII-XVI)” (capa mole, 236 páginas, 16,96 euros) é uma óptima síntese, bem sustentada cientificamente, feita por uma académica, mas acessível ao público interessado. Judite Gonçalves de Freitas, Professora Catedrática da Universidade Fernando Pessoa, leva-nos às raízes medievais do chamado “Estado Moderno” para melhor percebemos como aqui chegámos.




Felizmente que há muito que se vem dissipando a ideia errónea de olhar para a Idade Média como sendo a “das trevas”, ao mesmo tempo que a própria divisão da História em períodos estanques deixa de ter sentido. Não só os tempos medievais foram de desenvolvimento, de descoberta e até do que podemos considerar uma “revolução científica”, como a História implica em si própria uma continuidade. Pese embora haja marcos incontornáveis e a separação por períodos facilite a análise é exactamente passando por cima destes que se é bem sucedido na procura das origens. A autora define muitíssimo bem esse exercício no subtítulo desta obra – “Modernidades Medievais”.

De facto, como afirma a autora, “a construção moderna do Estado implicou um conjunto de modificações lentas, edificadas dentro dos limites do domínio territorial da monarquia”. Para chegar a esta conclusão, Judite Gonçalves de Freitas traça a evolução das estruturas políticas e sociais desde o Portugal Medieval até ao início da Época Moderna. Esse trajecto está dividido em quatro grandes unidades temáticas, a saber: Realeza, Governo e Poder dinástico; Monarquia, Parlamento e Direito; Estado, Poder e Administração e, finalmente, Estruturas do poder político: a monarquia renovada.

Uma obra que não ignora os principais trabalhos produzidos sobre o tema e que assenta em fontes e bibliografia, cuidadamente discriminadas no final de cada capítulo. Inclui ainda dois mapas e três organogramas das instituições políticas, bem como uma útil cronologia dos principais acontecimentos políticos.

Um livro bem construído e clarificador. Uma reflexão necessária para compreendermos a formação do Estado no nosso país. Como escreveu no Prefácio Martim de Albuquerque, Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, “este livro ostenta, de facto, uma discursividade atraente, inclusive sedutora. Claro, sistemático, lógico. São três adjectivos que ocorrem naturalmente e a propósito. Concitar tantos autores portugueses e estrangeiros, os respectivos contributos de forma coerente e em concatenação, sem os desvirtuar, antes em encaixe admirável uns nos outros e sem jamais perder de vista as  fontes da época respectiva, constitui um desafio que a autora acatou e venceu, todavia, sem dificuldade aparente.”

MAIS UM LUGAR NA REDE

Convido todos os «jovens» e nossos leitores a porem nos seus favoritos o meu website que está a ser construído pela Oficina do Site.

Dança Macabra

Um mandamento há a que, sintoma da idade em avanços confrangedores, ultimamente, vou tentando obedecer: Não rias dos dias!
Hoje, o dito Mundial da Segurança Social, até me desperta simpatia, a mesma de qualquer outro pretexto para lembrar as demais espécies em vias de extinção...