Caldo de Cultura (VIII)
Desta vez o nosso almoço foi na Universidade Lusíada e contou com a presença do Humberto Nuno de Oliveira, que não se esqueceu do livro, e com a sentida falta do João Marchante. O convidado que anunciei no post anterior não conseguiu infelizmente aparecer. O novo desafio fica assim lançado. Quem levou o quê?
Vox Populi
Esgotar a bateria do iPod pode ter consequências inesperadas. Foi o que me aconteceu hoje, num autocarro da Carris, levando-me a reparar inadvertidamente num interessante diálogo que se desenvolvia a meu lado. Não resisto a replicar aqui a troca de palavras entre um par de adolescentes lisboetas, utilizando descaradamente o título de uma fabulosa série de postais desenvolvida pelo Eurico de Barros.
Primeira jovem: «Uma pessoa tem todo o direito de não saber onde ficam os países.»
Segunda jovem: «Pois é, afinal isso serve para alguma coisa?»
Primeira jovem: «Ainda no outro dia, perguntaram-me onde fica o Paquistão. O que é que isso interessa? Por acaso até sei, fica na Ásia. Ao pé daqueles países que acabam todos em ão. Paquistão, Cazaquistão... esses todos.»
De imediato, lembrei-me as palavras sábias de Ortega y Gasset, que acusava a era moderna, a tal época do «homem-massa», de ter consagrado «a vulgaridade como direito».
Primeira jovem: «Uma pessoa tem todo o direito de não saber onde ficam os países.»
Segunda jovem: «Pois é, afinal isso serve para alguma coisa?»
Primeira jovem: «Ainda no outro dia, perguntaram-me onde fica o Paquistão. O que é que isso interessa? Por acaso até sei, fica na Ásia. Ao pé daqueles países que acabam todos em ão. Paquistão, Cazaquistão... esses todos.»
De imediato, lembrei-me as palavras sábias de Ortega y Gasset, que acusava a era moderna, a tal época do «homem-massa», de ter consagrado «a vulgaridade como direito».
Outras paragens
Devido à minha participação na conferência "O Desenvolvimento das Relações Luso-Sérvias", hoje na Universidade Lusíada de Lisboa, o almoço dos Jovens muda-se para o outro lado da capital. Mas o melhor é que vai contar com um ilustre convidado. Notícias em breve.
Do Fim e da Língua
Neste tempo que cada vez mais parece de fim de Pátria, um dos sinais que mais me incomoda e preocupa é o da banalização e consequente perda da nossa Língua. Disto tive oportunidade de falar com o Prof. Artur Anselmo após a sua excelente Lição de Jubilação, subordidada ao tema “Filologia e História do Livro”, no passado dia 28 de Março, na FCSH da UNL. Foi também a esta questão que dediquei a minha coluna na edição desta semana do semanário «O Diabo», chamada exactamente Língua, que concluí assim: “Porque se não soubermos quem foi Camões, a "Língua de Camões" deixará mais tarde ou mais cedo de ser a nossa. Perdendo o seu significado profundo e mecanizando-se passará a ser apenas um "meio" desprovido de conteúdo.”
Feios, Porcos e Maus
Três problemas de emprego que não advêm da recessão impõem umas curtas linhas, para dissipar perplexidades. O primeiro reitera a noção de que os estudos na área de Psicologia servem, sobre o mais, para dar ares de pesquisa a percepções a que se chega com uma olhadela. Vêem a novidade deste? Que as Beldades obtêm mais contratações, são mais benignamente avaliadas e classificadas e triufam nos julgamentos! Alguém desconhecia a coisa, Santo Deus? E a parte que refere ser contraproducente o aspecto das Senhoras nas funções tipicamente masculinas também não espanta: no seguimento tradicional de que um homem, quanto mais feio, mais confiável, remete a constatação para consequência da mera igualdade dos sexos essa velha luta de certa Condição Feminina...
Os avanços e recuos da Oposição Líbia, mais do que levantar chatíssimas prelecções sobre a diferença de preparação e armamento das partes, reenvia para a essência da Guerra no Deserto, em que tais solavancos se mostraram adequados, desde o segundo conflito mundial. Hoje, entre reprovações de parlamentares importantes, Falcões incluídos, Obama mostrou o que venho repetindo há anos - a Política Externa dos States obedece a constantes que não dependem de eleições: em clara desconformidade com os limites das decisões internacionais; já entregou à CIA o comando dos entusiastas que, sem ele, seriam carne para canhão Khadaffiano. De imediato se demitiu o MNE de Tripoli, com o incrível nome de Moussa Koussa. O caso é revelador, já que, como antigo chefe dos serviços secretos, detém informação privilegiadíssima sobre as chances de prevalência do (ex-)patrão: e torna fantasista qualquer credibilidade de só agora ter descoberto os massacres de civis que afirmou determinarem a sua deserção. Os ratos são sempre os primeiros a abandonar o barco.
Um conceito de Emergência de cinquenta anos é coisa abstrusa, na acepção de "urgência grave". Poderíamos tentar encontrar-lhe um sentido útil, entendendo esse Estado como uma esperança de permanência na manutenção do sentido ascendente do partido que tem o Poder na Síria desde os anos 1960's. Do que sempre desconfiei foi de que ele viesse a ser levantado no preciso momento em que... emerge uma pressão inesperada. O regime veio, desmentindo tais expectativas, provar que a notícia posta a circular era para jornalista ver.
Machadada na Cultura
Recebi hoje, por correio tradicional, uma carta que, como amante da Sétima Arte, me impressionou bastante. É igualmente um sinal do estado a que o Estado chegou. Deixo aqui o link para a referida missiva on-line. Ora clicai aqui, Amigos Cinéfilos.
Post Scriptum: O «Aviso sobre o Programa de Abril», que também me foi enviado hoje, pela Cinemateca Portuguesa, traz ainda mais uma mão-cheia de más notícias.
Post Scriptum: O «Aviso sobre o Programa de Abril», que também me foi enviado hoje, pela Cinemateca Portuguesa, traz ainda mais uma mão-cheia de más notícias.
Memorial de Abril
Que o Capitão de Abril Vasco Lourenço se insurja por o Estado a que chegámos não se prestar este ano ao costumeiro carnaval das florzinhas vermelhas e das oratórias desbragadas, é compreensível, pois quem nada mais fez na vida gosta que lhe seja dada importância, ao menos uma vez por ano. Com a crise, porém, torna-se evidente para todos o que já era certo para alguns - culpabilizar apenas os deputados pela derrocada e celebrar os sobreviventes do MFA é como pedir à família da vítima que estigmatize os gatos pingados, fazendo, em simultâneo, o elogio dos carrascos que despacharam o defunto. Por isso lastimo que alguém com menores responsabilidades históricas mas mais imputabilidades intelectuais, Manuel Villaverde Cabral, tenha alinhado na insistência de festejar, quando tantos Portugueses foram trazidos ao limiar da sobrevivência. É como aqueles que vão de gravata vermelha a funerais, para marcar posição, o que sempre condenei, mesmo quando os autores da proeza concordavam comigo. Sugiro antes, em vez dos transportes retóricos da casa de má fama e pior proveito sita em S. Bento, uma cerimónia digna, em que os cravos de sangue cedam o lugar aos fumos negros e em que por altifalantes seja difundida continuadamente a «Marcha Fúnebre» de Chopin. Não poderia juntar imagem mais descritiva do banzé em prol do folclore habitual do que a dos Cangalheiros Esfomeados, segundo o «Punch». Lembrete à navegação
Este blogue colectivo completa amanhã, 31 de Março, dois meses de múltipla actividade diária. E parece que foi ontem que os Jovens se fizeram ao mar...
As Raízes
«Senhora da Azenha», Dazkarieh.
Regressando à música nacional, trago desta vez os Dazkarieh que, em conjunto com grupos como os Galandum Galundaina, Uxu Kalhus e os próprios Sangre Cavallum, formam uma nova geração de bandas portuguesas que fundem sonoridades tradicionais com elementos contemporâneos. Bom, de facto, não é uma tendência propriamente nova, mas tem vindo a ganhar atenção e popularidade em Portugal. Os Dazkarieh, por exemplo, já existem desde 1999. Depois de marcarem presença nos principais palcos folk do nosso país, percorreram o mundo com esta fusão musical, feita de instrumentos típicos portugueses como o adufe e o cavaquinho. Com um novo disco editado há dias, «Ruído do Silêncio», a banda encontra-se neste momento numa autêntica volta a Portugal para promover o mais recente trabalho. É de aproveitar.
Sem Água na(s) Boca(s)
Decerto que a degradação dos hábitos alimentares nos encaminha para a Doença. Mas, se essa é uma causa imediata, a raiz profunda encontra-se na busca do conforto que lhe está subjacente. Ao eliminar o exercício natural, remetendo o esforço de que o organismo precisa para horas compensatórias num dos extremos do dia, o nosso mundo está a pedi-las. Ainda pior quando a gula se orienta não já para a ingestão de quantidades, mas para a equação que assenta na facilidade e rapidez da preparação, como na menor subtileza da degustação. Nesse sentido, é muito importante atentar na comparação que o Médico Kevin Patterson nos revela, da alteração dos tipos morfológicos que se expande do Ocidente para outras sociedades. Desde que não se caia na armadilha da culpabilização da nossa área por mais essa exportação de um malefício prejudicial ao resto do Mundo, já que fomos os mais prejudicados e há mais tempo. Dessa forma, fico de boca aberta (ai!) com a oportunidade perdida pelo Presidente Chávez: tendo pregado à Frei Tomás o emagrecimento dos Venezuelanos, não se lembrou de culpar o Capitalismo pelo alastramento da calamidade de obesidades e diabetes, domínio em que as multinacionais e o Mercado, efectivamente, têm culpas no cartório; mas, bem pelo contrário, ocorreu-lhe responsabilizar este sistema económico pela ausência de vida em Marte. Qual será o termo equivalente a lunático, no caso em apreço? Marciático? E não devemos sublinhar, como truísmo e tautologia irrefutáveis, que o apertão de cinto pelo Dr. Teixeira dos Santos a nós imposto estava afinal era a tratar-nos da saúde?Sem papas na língua
A cidade hoje já não é o que foi no meu tempo, o que é natural. Mas o pior é que mudou com tal ímpeto que tudo o que era pitoresco vai de gangão desatinado para o esquecimento com passagem pelo camartelo demolidor, e assim já de todo acabaram os carvoeiros onde se bebia o melhor vinho, por tijelas brancas vidradas, e havia quase sempre, para fazer boca, pasteis de bacalhau e uma velha a assar castanhas. Acabaram os carvoeiros substituídos por estabelecimentos de venda de carvão a retalho, revestidos de azulejo e tão penteadinhos que até a gente tem vergonha de lá entrar. Esta gente moderna, com suas higienes e posturices, substituíram as iscas e o pastel de bacalhau por bolos de arroz e brioches e o vinho por leite, não se tendo convencido nunca de que não há raça forte com semelhante alimento e a resultante foi a substituição das touradas pelo futebol e dos homens pelos maricas.
ALBINO FORJAZ DE SAMPAIO
(1884 — 1849)
(1884 — 1849)
Parar e pensar a cidade
O Príncipe Carlos de Inglaterra está em Lisboa. Bom seria que O consultassem para efeitos de Arquitectura e Urbanismo. No entanto, cheira-me que os nossos edis não estão para aí virados. A propósito, destaco um oportuno e certeiro texto de António Rosa de Carvalho, o qual sugiro ser complementado com a leitura dos artigos de Francisco Cabral de Moncada sobre Arquitectura Tradicional.
Acto Fal(h)ado
Há pelo menos um campo em que o Político em questão deu o exemplo: o esforço pessoal em ordem ao desiderato que o seu tropeçante discurso inicial promoveu foi muito mais hercúleo do que o que poderia pretender do público. Mas, mais do que o lapso de palrador, ao contrário de Guterres com a conta do PIB e Valentim, emendando o Viva ao dito Engenheiro para um outro, a Gondomar, a indigência da correcção do engano socrático é significativa - no íntimo esta triste caricatura de governante amalgama a solidariedade ao pauperismo. Está tudo explicado.
Os animais ferozes de amanhã
Nunca tive as juventudes partidárias em grande conta, mas sempre acreditei que pudessem ter um papel importante na formação de quadros e na preparação de jovens para o combate político. No entanto, quanto mais jotinhas conheço, mais desiludido fico. Afinal, as juventudes partidárias não são mais do que escolas de maus costumes, academias especializadas em introduzir adolescentes medíocres aos vícios dessa baixa política que caracteriza a arena partidária. Jovens sem valores e sem ideias, que nunca leram um livro e que mal sabem exprimir-se em português. Boys e girls, miúdos pobres de espírito ensinados a acenar em vez de questionar, cuja única mais-valia é a capacidade de sobreviver, de manter a cabeça à tona ao longo de jogos de interesses e lutas de influência. É a essa gente que é suposto entregarmos o Futuro de Portugal?
É possível fazer-se uma revolução espiritual?
Mircea Eliade, partindo da análise do caso português, desenvolve uma tese onde conclui que sim. Graças a Deus, ao fim de quase 70 anos, a fundamental obra foi vertida para Língua Portuguesa.
Em Vias de Extinção?
Para verem como me preocupo com o (bom) Ambiente, alertado por um Ecologista do calibre do meu Amigo Paulo Almeida, convido-Vos a proteger esta ameaçada espécie, na era da invasora electrónica.
A Escalada do Nu
Confesso que hesitei, ao tentar encontrar a interpretação correcta para a indignação dos circunstantes em face da prioridade dada pela equipa de salvamento da alpinista desnudada da Califórnia à cobertura do seu corpo por vestes, em detrimento da recolha imediata da aflita aventureira. Com efeito, apesar do cuidado de terem dado a missão a um elemento do género feminino, nestes tempos tal não dá garantias de, estando a socorrida em pelo, os autores do seu abraçante resgate não virem a ser acusados de comportamento impróprio e atentado ao pudor, na mais benigna das hipóteses académicas dum litígio. Como também tive em mente o acquis artístico indutor de reprovação em circunstâncias conexas, o de Millais ter apelidado o herói que apressadamente liberta a menina em apuros, tal como ela veio ao Mundo, de Knight Errant, o que tanto dá para Cavaleiro Andante, como para Cavaleiro Que Faz a Asneira...

Há, de facto um sentido mais sério e preocupante - o de, naquela praia de nudismo, os banhistas e outros frequentadores pressionarem todo e qualquer turista passageiro a manter a forma de naturismo radical que preferem. O que nos leva ao estado das sociedades ocidentais de hoje, pejadas de enclaves de cumplicidades localizadas que procuram a todo o custo fazer soar bem alto a demarcação do Todo com que, em conjunturas mais saudáveis, deveriam privilegiar laços. É a entropia sócio-cultural.
Do desvario em que anda o mundo
Foram avistados hoje dois tubarões no Guincho.*
*Não, não é uma metáfora sobre o mundo (pós-)moderno. Parece mentira, mas é verdade. Aconteceu hoje com um grupo de surfistas, felizmente sem consequências, onde estava a Filha de Amigos meus.
*Não, não é uma metáfora sobre o mundo (pós-)moderno. Parece mentira, mas é verdade. Aconteceu hoje com um grupo de surfistas, felizmente sem consequências, onde estava a Filha de Amigos meus.
Vitória em Estalinegrado
O melhor postal que li sobre a queda do governo está aqui e tem a assinatura desse solitário franco-atirador que é O Jansenista: «Não vejo motivo nenhum de celebração na queda do Governo, por mais justificada que ela seja. O eleitor mediano é tão estúpido e atordoado que vai votar em mais do mesmo». Headshot.
Rei-Sol x Estado-deus
Não consigo deixar de sorrir quando oiço gente muito moderna e, como é lógico, muito liberal, muito democrata, falar desdenhosamente do "absolutismo" dos Reis. É sempre de bom alvitre recordar que absoluto mesmo, e o que é pior, tirânico, é esta maravilha do Estado democrático, moderníssimo, baseado na vontade ilimitada de uma maioria aritmética, real ou fictícia. Os Reis autênticos eram, estes sim, limitados pela tradição, pelos costumes, pela Ordem Natural, pela Lei Divina. Para não nos alargarmos muito fiquemos com Luís XIV, a quinta-essência do monarca absoluto. Pois bem, é o Rei-Sol que estabelece que não se cumpra nenhum decreto Seu que seja contrário às leis dos Reino e às Leis de Deus. Por exemplo, não passaria pela cabeça real alterar o direito de família, fortemente marcado pela moral e pelos costumes. Já o "nosso" querido Estado da soberania popular, do sufrágio universal e - sobretudo - da partidocracia, tem as mãos e as patas inteiramente livres para revogar até mesmo as leis da natureza, como tem-se visto, e de sobejo. É, pois, para honrar o Rei-Sol e sublinhar o devido desprezo ao Estado-deus, que trago-vos, para a hora do chá, um bocadinho de Lully.
Sugestão para Sábado à noite
The Field (1990). Ambientado na Irlanda dos anos 30 - ainda celta, católica e rural -, este grande filme trata do apego à terra por aqueles que a cultivam, na continuidade das gerações que nela não só encontram o seu sustento material mas também o seu suporte identitário. Tal concepção tradicional da terra como património físico e moral - na indiscutível chave barrèsiana da terra e dos mortos - choca frontalmente com a modernidade materialista e especuladora. Este embate mortal é aqui examinado através das fantásticas actuações de Richard Harris e John Hurt. Gostei tanto desta obra que em 1995, durante um périplo pela Ilha Esmeralda, fiz questão de dar um salto ao local da filmagem - e não faltou o pint de Guiness no pub que tantas vezes serve de cenário.
Euroquinhões
No day after daquele em que muitos compatriotas acreditaram passar a cura dos seus males por um revisionismo da célebre injunção de diagnóstico clínico que se traduzisse num diga 133!, deitei-me a reflectir sobre a propensão ao jogo que faz de nós os maiores apostadores do Euromilhões.
E lembrei-me da letra duma conhecida canção francesa, a qual aponta ao passante uma depressão tranquila. Depressão tranquila e colectiva, que melhor descrição poderíamos pretender do nosso estado? Terreno fértil para a alimentação artificial de expectativas que adiem a revolta e o desespero conducentes à acção, substituindo-os pela espera paralisante que delega no golpe de sorte a resolução dos problemas.
E lembrei-me da letra duma conhecida canção francesa, a qual aponta ao passante uma depressão tranquila. Depressão tranquila e colectiva, que melhor descrição poderíamos pretender do nosso estado? Terreno fértil para a alimentação artificial de expectativas que adiem a revolta e o desespero conducentes à acção, substituindo-os pela espera paralisante que delega no golpe de sorte a resolução dos problemas.
Por isso somos os que mais jogam e os menos violentos. A receita alienante estende-se ao nível supra-nacional e, em países de similar modelo, tenta-se agora uma novidade no mais velho excitante individual e calmante colectivo que é o sorteio de números. Sem a componente da excentricidade estimada que está presente nas apostas inglesas sobre tudo, transfere-se para a abstracção da escolha dos algarismos as reservas de atenção expectante do vulgo. Cria-se uma nova extracção, garantindo todos os dias o circo completo, aquele que acumula uma hipotética promessa de mais e melhor pão. E usa-se o vetusto truque para viciar, perdão, fidelizar os jogadores - aumenta-se a possibilidade de prémios-migalha estimuladores do sonho, avolumando a dificuldade de acertar nos valores maiores.
A "felicidade instantânea" assim prometida ameaça bem ser a espelhada em A Lotaria, de Van Gogh. Pelo que, coerente como sempre, lá irei deitar os meus dois euritos no concurso da próxima semana.
A "felicidade instantânea" assim prometida ameaça bem ser a espelhada em A Lotaria, de Van Gogh. Pelo que, coerente como sempre, lá irei deitar os meus dois euritos no concurso da próxima semana.
Rica Visão!
Recuso enfileirar no criticismo a uma só aparente confusão da «Forbes», por meio do seu blogue. Salta à vista, com efeito, que o ressabiamento do Prof. Carrilho o torna muito mais plausível como líder oposicionista ao socratismo, do que a cumplicidade do Líder do PSD, só finda à custa de muita pressão interna, depois de a conjunção do descontentamento popular e da má-criação governamental ter feito muito notável laranja farejar o sangue.
Claro que não podiam pressupor os observadores estrangeiros que uma remoção socrática, agora - como defende o antigo Ministro da Cultura -, tendesse a redundar num favor ao actual chefe Socialista, o qual, poupado a prova(ção) eleitoral imediata, poderia retornar, mais tarde, com a auréola de injustiçado, sempre mais durável na memória curta dos eleitores do que a autoria da inflicção das dificuldades que, decerto,vão permanecer.
Assim, parece evidente estar um periódico vocacionado para as questões da riqueza mundial predisposto a desconfiar de que a nossa salvação, retirando um Coelho da cartola, se reduziria sempre a passes de ilusionismo para fora, como a Passos de ilusão para consumo interno.
Não, onde a análise terá falhado redondamente é na ingénua crença de que, deixados a ver estrelas pela desgovernação cessante, ainda ostentamos cartolas donde se possa retirar alguma vida...
Claro que não podiam pressupor os observadores estrangeiros que uma remoção socrática, agora - como defende o antigo Ministro da Cultura -, tendesse a redundar num favor ao actual chefe Socialista, o qual, poupado a prova(ção) eleitoral imediata, poderia retornar, mais tarde, com a auréola de injustiçado, sempre mais durável na memória curta dos eleitores do que a autoria da inflicção das dificuldades que, decerto,vão permanecer.
Assim, parece evidente estar um periódico vocacionado para as questões da riqueza mundial predisposto a desconfiar de que a nossa salvação, retirando um Coelho da cartola, se reduziria sempre a passes de ilusionismo para fora, como a Passos de ilusão para consumo interno.
Não, onde a análise terá falhado redondamente é na ingénua crença de que, deixados a ver estrelas pela desgovernação cessante, ainda ostentamos cartolas donde se possa retirar alguma vida...
Caldo de Cultura (VII)
Mais um almoço das quintas, mas desta vez sem Cozido. Faltou também o João Marchante. Em compensação, contámos mais uma vez com a presença do nosso estimado Bruno Oliveira Santos. O desafio continua de pé, e o prémio mantém-se. Quem levou o quê? Aceitam-se apostas.
Introdução à Cátedra
Devo deixar bem claro que o aborrecimento em mim produzido na passagem pela Universidade jamais me levou a um sentimento rebarbativo contra o Ensino Superior. Tenho porém de rever a minha postura, pois é nesse plano, não no moral, que julgo dever ser analisada a história pisada e repisada do convite por um professor de Sexualidade do Illinois a um parzinho, no sentido de, numa aula suplementar e facultativa, mostrar a uma turma de alunos seus como chegar ao prazer com a introdução de um... objecto estranho.
Isto, à uma, porque tenho de aconselhar nesta matéria aos alunos o autodidactismo, caso contrário podem ficar pouco preparados para a vida prática, com a circunscrição a um peep show do ensino magistral antes tão condenado. Depois, por verificar que não estão a estimulá-los a praticar no instrumento para que nasceram, E, por último, pela meridiana razão de, nos tempos que correm, um diploma estar muito longe de lhes garantir bom emprego...
Isto, à uma, porque tenho de aconselhar nesta matéria aos alunos o autodidactismo, caso contrário podem ficar pouco preparados para a vida prática, com a circunscrição a um peep show do ensino magistral antes tão condenado. Depois, por verificar que não estão a estimulá-los a praticar no instrumento para que nasceram, E, por último, pela meridiana razão de, nos tempos que correm, um diploma estar muito longe de lhes garantir bom emprego...
A Queda de um Anjinho
Quase chorei com a auto-edificação angelical do Demissionário da véspera, dizendo ter sido o único a procurar exaustivamente o consenso e haver esbarrado na tal coligação negativa dos outros todos. Claro que a negatividade, quando se reporta a uma permanência negativíssima, passa a positiva; e há muito que este anjo é um dos que confundiram Lucífer com a Luz, facto comprovado por se ter mostrado peco em negociar aquando da apresentação unilateralista em extremo de mais este PEC. Mas pouco importa, o que interessa é sublinhar que, com o tempo, o PM em gestão perdeu qualidades de detecção de perigo sobre si impendente: não percebeu, por exemplo, que estas declarações de Bruxelas traduziam, para quem soubesse ler, o puxar do tapete onde assentava os pés.
Como não foi capaz de antever que a subserviência, aqui sim, de Passos por perder do partido laranja estava, finalmente, madura o bastante para para mudar...
As imagens são Anjo Cadente de Elaine Conneely e a revisitação de His Master´s Voice que se impõe, por Banksy
Maurice Barrès

Barrès é, para mim, não só o grande teórico mas o pai do nacionalismo, tal qual o entendo. Concepção marcadamente emotiva, orgânica, assentada sobre o duplo fundamento da Terra e dos Mortos, é a Nação o valor supremo na ordem temporal. Se podemos ler Barrès nas trilogias do Le Culte du Moi ou do Roman de l´Énergie Nationale, em Scènes et Doctrines du Nationalisme ou em La Colline Inspirée, podemos o ouvir aqui:
Estrela CaNdente
Elizabeth Taylor ganhou com a idade uma energia interpretativa que Lhe assegurou o prolongamento da via do êxito antes assente também na vulnerabilidade que tornava inesquecíveis as suas interpretações adultas da juventude. «Quem Tem Medo de Virginia Woolf?» face a «Bruscamente no Verão Passado», se me percebem...
Mas igualmente pela ausência de esforço, o Dom e os dons naturais. Aos rememoradores da «Gata...» gostaria de adicionar, hoje, o deslumbramento desta imortalização retirada de «Um Lugar ao Sol». Que, estou certo, Ela terá finalmente encontrado.
Mas igualmente pela ausência de esforço, o Dom e os dons naturais. Aos rememoradores da «Gata...» gostaria de adicionar, hoje, o deslumbramento desta imortalização retirada de «Um Lugar ao Sol». Que, estou certo, Ela terá finalmente encontrado.
R.I.P.
In Hoc Signo?
Até ver, continuo a acreditar que o Presidente Medvedev é uma mera criatura de Putin e que ainda vai sendo o actual Pemier a puxar os cordelinhos da Rússia. Não enfileiro é, tão rapidamente como outros, pela ideia de que a recente assimilação do intervencionismo na Líbia pelo Chefe do Governo e a "desautorização" subsequente pelo Supremo Magistrado configurem uma combinação que os fizesse reencarnar um Jekyll & Hyde reversíveis, conforme fossem vistos da perspectiva Norte-americana e Europeia Ocidental, ou, ao invés, do miradouro afro-asiático-latinoamericano.

Não, o que creio que aconteceu foi a manifestação da diferente envergadura histórica de cada um dos protagonistas e que terá tido como prioridade o consumo interno: o assumir pessoal de um sentimento nacional de demarcação, num Estado Imenso que gosta de se ver como herdeiro dos Bizantinos pelo traço de união que é a Igreja Ortodoxa, como a tentativa de provar alguma emancipação da tutela, sentindo as costas quentes dos poderes internacionais por ora ainda dominantes. A qual teria em mente um recalcamento enraizado a Leste, o de como essa maravilha de mobilização, ao princípio desinteressada, que deu nas Cruzadas, havendo começado por se apoiar em sinergias de resistência ao Cisma Oriental, acabou por afastar as duas metades da Cristandade uma da outra, culminando na entrada dos expedicionários em Constantinopla, por 1202.
O que é grave não é que na metade continental a Oriente estas Guerras Santas tenham má reputação e sirvam de papões, coladas a sucessos militares que lhes são absolutamente estranhos. O trágico está em o nosso lado se envergonhar delas e se desculpar de os seus ancestrais as terem encetado. Essa é uma cruz que carregamos, bem diversa Da que os Guerreiros de Outrora fervorosamente envergavam.
A imagem é a Entrada dos Cruzados em Constantinopla, de Delacroix.

Não, o que creio que aconteceu foi a manifestação da diferente envergadura histórica de cada um dos protagonistas e que terá tido como prioridade o consumo interno: o assumir pessoal de um sentimento nacional de demarcação, num Estado Imenso que gosta de se ver como herdeiro dos Bizantinos pelo traço de união que é a Igreja Ortodoxa, como a tentativa de provar alguma emancipação da tutela, sentindo as costas quentes dos poderes internacionais por ora ainda dominantes. A qual teria em mente um recalcamento enraizado a Leste, o de como essa maravilha de mobilização, ao princípio desinteressada, que deu nas Cruzadas, havendo começado por se apoiar em sinergias de resistência ao Cisma Oriental, acabou por afastar as duas metades da Cristandade uma da outra, culminando na entrada dos expedicionários em Constantinopla, por 1202.
O que é grave não é que na metade continental a Oriente estas Guerras Santas tenham má reputação e sirvam de papões, coladas a sucessos militares que lhes são absolutamente estranhos. O trágico está em o nosso lado se envergonhar delas e se desculpar de os seus ancestrais as terem encetado. Essa é uma cruz que carregamos, bem diversa Da que os Guerreiros de Outrora fervorosamente envergavam.
A imagem é a Entrada dos Cruzados em Constantinopla, de Delacroix.
Tão actual que até faz impressão!
Os Sete Pecados Mortais da Democracia:
A Soberba Individualista;
A Avareza Capitalista;
A Luxúria das Palavras;
A Ira Revolucionária;
A Inveja Democrática;
A Gula do Orçamento;
A Preguiça Constitucional.
António Pedro, in jornal Revolução (série de 7 artigos, 1932).
A Soberba Individualista;
A Avareza Capitalista;
A Luxúria das Palavras;
A Ira Revolucionária;
A Inveja Democrática;
A Gula do Orçamento;
A Preguiça Constitucional.
António Pedro, in jornal Revolução (série de 7 artigos, 1932).
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