Serviço Público
Na sua obra, Julius Evola lançava um desafio aos homens que fossem capazes de manter-se em pé no meio de um mundo em ruínas. O blogue Ruin'Arte dá um novo significado a esta frase. Gerido pelo fotógrafo Gastão de Brito e Silva, o blogue faz um levantamento pormenorizado de inúmeros edifícios abandonados espalhados pelo país: moinhos, fábricas, templos, palacetes, sanatórios, e um longo etc. Pedaços do rico património histórico e arquitectónico nacional entregues o abandono, mas que o autor do blogue teima em não deixar cair no esquecimento.
A Bóia de Salvamento

Tempo houve, o imediatamente posterior à abrilada de 1974, em que era chic perguntar hostensivamente já foi ver «O Último Tango em Paris?». Emanava da inocência das proibições e até da do embarque em certezas libertadoras. Não era grande filme, com o que se produz hoje sobre o prazer, parece-nos, à distância, algo enjoativo e, na sua univocidade, até ingénuo. Brando libertou-se aí de um declínio que se temia, depois do brilhantismo da década de 1960, ficando assim uma espécie de transição sufragada pelo público para as interpretações cabotinas mas inolvidáveis de «O Padrinho» e de «Apocalipse Now». Da Actriz que com ele contracenou falou-se sempre muito menos, apesar das adesões da altura, muito motivadas pela manteiga. Uma beleza muito moderada e arredondada que naquela entrega jogou o seu trunfo maior, em idade muito precoce. Quer a ausência de vocação para starlette, quer a imagem eternamente colada a essa aparição perdurando na mente dos espectadores ter-lhe-ão tolhido uma carreira que, diga-se, nunca pareceu, para os mais frios, prometida a altos voos. Hoje Maria Schneider morreu, também cedo, aos 58 anos. Talvez esta circunstância a tenha, por sua vez, salvo, pois grangeará, possivelmente, numa geração anterior à minha o tributo que a melancolia dos assaltos nostálgicos e da perda de património afectivo costumam despertar. É um fim que, no entanto, pode funcionar como um estímulo de uma categoria etária ameaçada pelo doloroso desvanecer dos resquícios do entusiasmo. Já é qualquer coisa.
Vanitas
Perguntei-me se a comoção que sentia perante os testemunhos de apreço na blogosfera seria compatível com a imagem de mim que forçava, a de haver alcançado um ameno modus vivendi com o isolamento interior, mesmo dentro de grupos que reclamam os seus direitos.
A resposta encontrei-a na descoberta da pólvora que nos diz ser o solitário que se proclama o mais impenitente orgulhoso ser que habita o mundo. E um falsário, na medida em que está a dirigir-se a outrem, tentando passar-lhe a imagem forjada. Tudo isto não impede que seja «Ma Solitude», na voz de Reggiani, no domínio da música ligeira, a canção da minha vida. Se não descritivamente, ao menos no campo do sentimento. E tenho esperança de que esta nota acompanhante oblitere a vaidade ostentatória, uma vez que ora se submetem, conjuntamente, ao Vosso juízo.
Felicidade
Com um renovado abraço de obrigado ao meu colega e amigo Zé Pinheiro, que realizou, e disponibilizou na rede, este lindíssimo vídeo desta belíssima canção de Rodrigo Leão.
Caldo de Cultura
Colheita do almoço de hoje.
Desafio: Alguém adivinha quem levou o quê?
(Pequena ajuda: o Miguel Vaz teve falta... justificada.)
Língua em Apuros
Passo a vida em perplexidades perante o léxico dos fazedores de opinião televisivos. O comentador Rui Santos, com aquele hábito enternecedor de tentar encarecer as suas análises, disse ontem, após a vitória no covil do réptil, que, na Liga futebolística, o Benfica, com esta motivação supletiva, pode ameaçar o Futebol Clube do Porto.Descuuuuuulpe! SUPLETIVA? Quer dizer "complementar" e, então é uma crítica em vez de um elogio, ele insinua que, até agora, a razão actuante do Glorioso estava incompleta! Ou, então, relembro o sentido mais técnico, apre(e)ndido no Curso de Direito, o de "regime que se aplica apenas se as partes se não manifestarem em contrário". E o caso piora um pouco, inculca estar o êxito encarnado dependente do acordo dos azuis e brancos...
O mais natural é que haja sido um lapso linguístico e ele pretendesse dizer "suplementar". Ah! Isto é que é o conceito de "língua apurada"?
Bombons à moda do Porto
Se há coisa que o Porto tem de bom — para além das deliciosas francesinhas, é claro — são os chocolates. Sempre que vou à invicta não dispenso uma visita às lojas da Arcádia, para levar um ou outro cartucho de bombons, conhecidos pelo excelente aspecto e ainda melhor sabor. Assim, foi com genuíno gosto que fiquei a saber que a Arcádia abriu no passado mês de Dezembro a primeira loja em Lisboa, mesmo na Avenida de Roma. É de aproveitar, acreditem em mim.
Um Maurras português
Declaração de interesses
Vim para esta casa comum para poder manter a mente lúcida.
Neste lugar posso trocar ideias com pessoas que pensam pela sua própria cabeça. Gente que sabe estar à mesa, e que aprecia um bom vinho, e que gosta de uma boa conversa; mas que não se acomoda aos rasteiros confortos pequeno-burgueses, nem embarca em delírios optimistas, e muito menos alinha em salamaleques.
À minha maneira, falarei por cá daquilo que gosto: livros, quadros, discos, filmes, mulheres, jardins, Portugal... Não necessariamente por esta ordem, ou por outra qualquer. Fazê-lo aqui, entre Homens Cultos, é um prazer e uma honra. Além disso, aprende-se.
Neste lugar posso trocar ideias com pessoas que pensam pela sua própria cabeça. Gente que sabe estar à mesa, e que aprecia um bom vinho, e que gosta de uma boa conversa; mas que não se acomoda aos rasteiros confortos pequeno-burgueses, nem embarca em delírios optimistas, e muito menos alinha em salamaleques.
À minha maneira, falarei por cá daquilo que gosto: livros, quadros, discos, filmes, mulheres, jardins, Portugal... Não necessariamente por esta ordem, ou por outra qualquer. Fazê-lo aqui, entre Homens Cultos, é um prazer e uma honra. Além disso, aprende-se.
Abutres do Egipto
Tenho propositadamente esperado desenvolvimentos das perturbações no Cairo por sempre me haver parecido serem as notícias da queda do regime tão ligeiramente exageradas como as da morte de Twayn, segundo o próprio. Desde logo, duvidei de que a população e o Exército não estivessem divididos... ou que estivessem integralmente nos sacos em que os enfiavam. Mubarak, sendo militar, não era do ramo terrestre, sim da agora sofisticada mas muito minoritária Força Aérea e a sua consolidação no Poder foi consumada à custa da depuração e ulterior ostracização do finado General Abu Ghazala, o qual chegou a namoriscar a Irmandade Muçulmana para se apoderar da Presidência e manteve nostálgicos para além dessas duas mortes. E nos cidadãos comuns, nestes anos todos, uma imensa cadeia de favores e, também, melhoramentos sensatos criaram uma base de apoio persistente que estranharia se não se sentisse ameaçada.
O interesse maior estará em ver se os apoiantes do novo Rais funcionarão como os mineiros da Roménia, no insucesso em proteger Ceausescu, ou na posterior vitória sobre os manifestantes que pretendiam apear Iliescu...
O que é lastimável é a atitude de líderes(?) do Ocidente, ao farejarem uma carcaça em decomposição. Os Norte-Americanos preparavam-se, transferindo-se com armas e bagagens, para fazerem do Chefe de Estado local um novo Ferdinando Marcos, podendo as vazas serem-lhes cortadas apenas se o Sr. El Baradei se revelar um erro de casting para o papel de Benigno Aquino. Veja-se a propósito o aviso de Miguel Castelo-Branco, ao que creio ainda magoado pelo puxão do tapete ao Xá do Irão.
Mas igualmente repugnante é a lenga-lenga do Primeiro-Ministro Cameron, dizendo que é inadmissível que os ainda mandantes da Terra dos Faraós instiguem uma parte do Povo contra outra. O que estes cabecilhas anglo-saxónicos pretendem é que uma parte coma e cale.
Achei muito estranho que estes tumultos não dessem molho. Já dizia um eminente especialista no País em questão:
O interesse maior estará em ver se os apoiantes do novo Rais funcionarão como os mineiros da Roménia, no insucesso em proteger Ceausescu, ou na posterior vitória sobre os manifestantes que pretendiam apear Iliescu...
O que é lastimável é a atitude de líderes(?) do Ocidente, ao farejarem uma carcaça em decomposição. Os Norte-Americanos preparavam-se, transferindo-se com armas e bagagens, para fazerem do Chefe de Estado local um novo Ferdinando Marcos, podendo as vazas serem-lhes cortadas apenas se o Sr. El Baradei se revelar um erro de casting para o papel de Benigno Aquino. Veja-se a propósito o aviso de Miguel Castelo-Branco, ao que creio ainda magoado pelo puxão do tapete ao Xá do Irão.
Mas igualmente repugnante é a lenga-lenga do Primeiro-Ministro Cameron, dizendo que é inadmissível que os ainda mandantes da Terra dos Faraós instiguem uma parte do Povo contra outra. O que estes cabecilhas anglo-saxónicos pretendem é que uma parte coma e cale.
Achei muito estranho que estes tumultos não dessem molho. Já dizia um eminente especialista no País em questão:
Nisto tudo só temo que a Comunidade Copta, eternamente ameaçada, venha a pagar as favas, qualquer que seja o vencedor que queira cavalgar a animosidade islâmica radical. E, como sabemos, os governantes que o nosso hemisfério tem não costumam perder o sono por más acções como o abandono...
Para os jovens e não só...
«Sempre que o amor me quiser», Linda Martini.
Os leitores mais dados a estas coisas de certo reconhecerão a origem da música. É um original da Lena d'Água, lançado em meados dos anos 80 e recuperado agora pelos grandes Linda Martini. Aí está o novo rock (em) português a dar cartas, estabelecendo pontes para a geração de ouro que durante tanto tempo nos alimentou e inspirou, mesmo depois de calados os microfones e arrumadas as guitarras.
Dois cacetes e duas medidas

Mal tinha eu arribado em terra lusa e num dos — cada vez mais — raros instantes em que passo os olhos pela televisão, vejo a polícia reprimir com decisão um grupo de manifestantes instalados à porta da residência do Primeiro-Ministro. Os "safanões" fartamente distribuídos tiveram por objectivo, suponho eu, preservar a ordem, já que estamos em democracia. Estivéssemos nós em tempos estado-novistas e os mesmos mimos seriam repressão fascista... O episódio trouxe-me à memória o relato de um conhecido brasileiro, cujo pai, político de longa carreira no país tropical, esteve várias vezes em Lisboa a visitar Salazar. Numa destas deslocações, creio que justamente durante a crise universitária de 1962, pai e filho presenciaram alguma pancadaria entre as forças de segurança e arruaceiros lá para os lados dos Restauradores. Chegados a São Bento comentaram o facto com Salazar, e este ter-lhes-ia dito que "o cacete não é santo mas faz milagres." Confesso a minha dificuldade em atribuir à expressão a pretendida filiação salazariana, mas se a estética não combina, na sua essência traz uma lição cujas raízes estão no fundo da realidade humana. Independente da sua origem e dos seus fins, é da essência do poder defender-se, preservar-se, não tolerar desafios à sua autoridade. O resto é demagogia e hipocrisia — bases, aliás, do regime que nos desgoverna, desmantela e dissolve.
Everybody loves PCP
Os primeiros dias deste blogue têm sido um sucesso. Nas ruas, milhares de pessoas festejam entusiasticamente o regresso do Paulo Cunha Porto à blogosfera.
De pequenino...
Não consigo compreender a tentativa de acabar de vez com os chamados pequenos partidos. Há assim tanto receio que deixem de ser pequenos?
A Corja

Não se dirá alguma vez que, em Mestre Marchante dando o mote, eu me haja furtado à tentativa de entoar. Neste dia de memória mais triste achei adequado reler o livrinho de Félix Correia sobre a baixeza que roubou a vida ao penúltimo Rei de Portugal. Os acontecimentos são por demais conhecidos, mas há umas quantas notas que cumpre, sumariamente, enunciar:
1- o depoimento directo de um dos regicidas sobrevivos, José Nunes, que reconhece as falsidades apregoadas a fio contra o Soberano e expressa arrependimento situado nos antípodas da homenagem cúmplice daquele Presidente da Câmara de Castro Verde que, ainda há escassos anos, dizia não se orgulhar mas recusar-se a condenar o seu conterrâneo que protagonizara o atentado.
2- A impotência das acções de juventude dos que então se indignaram, consubstanciadas em infantis mas honrosas tentativas de destruir o monumento aos matadores e na publicação no jornal «A Monarquia» dos nomes dos "romeiros" que os celebravam, quando comparada com a força da narração dos factos constante deste volume.
3- O grau de penetração das ideias subversivas na partidocracia do Constitucionalismo Monárquico, para além dos comprometidos, como se conclui da negativa de José Luciano de Castro em entrar numa revolta Republicana... por lhe não atribuírem a Presidência no regime a instituir!
Malraux, na iminência de um atentado contra de Gaulle tentava sossegar um chefe da Polícia, dizendo que poucos Reis de França haviam sido assassinados, somente Henrique III e Henrique IV. Ao que obteve a resposta sim, mas foram os que tentaram unir os franceses...
Mutatis mutandis, não caberá por inteiro a mesma constatação, quando aplicada ao Martirizado da Rua do Arsenal?
2- A impotência das acções de juventude dos que então se indignaram, consubstanciadas em infantis mas honrosas tentativas de destruir o monumento aos matadores e na publicação no jornal «A Monarquia» dos nomes dos "romeiros" que os celebravam, quando comparada com a força da narração dos factos constante deste volume.
3- O grau de penetração das ideias subversivas na partidocracia do Constitucionalismo Monárquico, para além dos comprometidos, como se conclui da negativa de José Luciano de Castro em entrar numa revolta Republicana... por lhe não atribuírem a Presidência no regime a instituir!
Malraux, na iminência de um atentado contra de Gaulle tentava sossegar um chefe da Polícia, dizendo que poucos Reis de França haviam sido assassinados, somente Henrique III e Henrique IV. Ao que obteve a resposta sim, mas foram os que tentaram unir os franceses...
Mutatis mutandis, não caberá por inteiro a mesma constatação, quando aplicada ao Martirizado da Rua do Arsenal?
A Praia e a Cidade
«A Praia e a Cidade», O Verão Azul.
Meio curta, meio teledisco, este vídeo ilustra na perfeição a essência d'O Verão Azul, projecto musical lisboeta, a dois, responsável pelo disco homónimo editado em 2010. Imagens simples, que esboçam com incrível nitidez essa realidade imaterial e intemporal chamada romance.
Contra o Desemprego!
Tristeza Que Não Paga a Dívida
Silva Lopes, personagem por quem tenho algum respeito, sugere a responsabilização dos políticos pela prodigalidade no aumento dos gastos públicos. A intenção é louvável, o alcance prático dela nulo. No panorama da actual (falta de) classe política o banco de suplentes de onde saltassem gastadores ainda mais empenhados é imenso. Pelo que a sanção cívica de ineligibilidade temporária pouco mais faria do que ser uma casuística limitação de mandatos.
Só uma ameaça real poderia, talvez, levar as crias dos partidos ao bom caminho. Mas não parece praticável. Nos EUA, após a vitória parlamentar Republicana de 1994, os apoiantes mais extremados de Newt Gingrich tentaram criminalizar os responsáveis pelo deficit. Não resultou e por cá resultaria menos, dado que a construção de prisões para albergar os nossos gastadores excessivos atingiria proporções tais que se teria de pedir emprestado muito mais dinheiro. Além de que, sendo as sanções para crimes mais violentos pouco menos que simbólicas, é duvidoso que o índice de reprovação moral permitisse encarcerar os mãos-largas que nos oprimem.
Só uma ameaça real poderia, talvez, levar as crias dos partidos ao bom caminho. Mas não parece praticável. Nos EUA, após a vitória parlamentar Republicana de 1994, os apoiantes mais extremados de Newt Gingrich tentaram criminalizar os responsáveis pelo deficit. Não resultou e por cá resultaria menos, dado que a construção de prisões para albergar os nossos gastadores excessivos atingiria proporções tais que se teria de pedir emprestado muito mais dinheiro. Além de que, sendo as sanções para crimes mais violentos pouco menos que simbólicas, é duvidoso que o índice de reprovação moral permitisse encarcerar os mãos-largas que nos oprimem.

Só uma ruptura constitucional que emprateleirasse a generalidade dos actuais mandantes permitiria, a um tempo, alguma penalização deles e a recuperação das contas. E não venham, como ainda hoje na padaria que frequento, tentar branquear a desvergonha das imposições em curso, dizendo que Salazar também exigiu sacrifícios. O Especialista de Coimbra consertou, dando o exemplo, o que outros, por sinal também os avozinhos destes, tinham estragado. Os opressores vigentes tentam prolongar o que eles próprios e os seus duplos vêm fazendo, distribuindo desproporcionadamente a carga e permanecendo num estilo de vida pública obsceno.
A pintura é «A Espada de Dâmocles», de Richard Westall. Mas seria vão pretender um rebate de consciência similar dos governantes de hoje.
A pintura é «A Espada de Dâmocles», de Richard Westall. Mas seria vão pretender um rebate de consciência similar dos governantes de hoje.
Caso arquivado?
Quando será reaberto o processo de investigação do crime de duplo homicídio que vitimou S. M. F. El-Rei Dom Carlos I e o Príncipe Real Dom Luís Filipe no Terreiro do Paço a 1 de Fevereiro de 1908?
Três é a conta que Deus fez
Porque não há duas sem três, e porque existe sempre um eterno retorno, depois de me ter iniciado nestas coisas (e noutras, já agora) no Filipa de Lencastre, e de seguida me ter lançado na aventura a solo que é o Eternas Saudades do Futuro, volto a alinhar novamente num formato colectivo com os Jovens do Restelo.
Missão cumprida
Conheci o Paulo Cunha Porto há muitos anos, por entre alfarrábios e alfarrabistas, entre almoços e conversas. A partir daí a Amizade foi crescendo e nunca perdemos o contacto. A entrada dele no mundo dos blogs fez com que um largo público reconhecesse automaticamente o seu enorme talento e a sua franqueza. Teve várias casas e andava até hoje afastado.
Esta ausência era muito sentida e no nosso almoço não nos cansávamos de o incentivar a um regresso. Essa foi a razão principal — e que razão mais que suficiente — para criarmos um blog colectivo. O Paulo era o nosso desejado na blogosfera.
A avaliar pelo sucesso deste novo espaço no seu primeiro dia, não há dúvida que a missão foi cumprida. Agora só resta que esta missão seja comprida.
Esta ausência era muito sentida e no nosso almoço não nos cansávamos de o incentivar a um regresso. Essa foi a razão principal — e que razão mais que suficiente — para criarmos um blog colectivo. O Paulo era o nosso desejado na blogosfera.
A avaliar pelo sucesso deste novo espaço no seu primeiro dia, não há dúvida que a missão foi cumprida. Agora só resta que esta missão seja comprida.
Surpresas e contrastes

Sempre que vinha à Capital do Império a primeira coisa que fazia era dar um salto ao miradouro de São Pedro d´Alcântara. Era ali que costumava cumprimentar Lisboa e, com olhos gulosos, matar um pouco as saudades. O ritual — sempre no inverno — continuava com muitas horas de caminhada e completava-se, invariavelmente, com uma ginja no Pavilhão Chinês ou um chocolate quente lá para os lados do São Carlos. Certa vez, subia eu a D. Pedro V e, virando no Arco do Evaristo, à direita, vou dar a um pequeno largo com uma escada. Lá embaixo uns telhados, umas casitas, umas ruelas, a compor o quadro de uma Lisboa de outras eras. Entretanto, olhei para o lado e não podia acreditar no que via: nas traseiras de uma casa, um pequeno terreno em socalcos, uma horta de couves, uns limoeiros e... duas cabras a pastar despreocupadamente! Fiquei estupefacto com a convivência do urbano com o rural, do "arcaico" com o "moderno", da capital infestada (e paralisada) por "altas cilindradas" e telemóveis de última geração e aquela cena chesterton-bellocquiana que lembrava o three-acres-and-a-cow distributista. Voltei ali há pouco, na esperança de ainda ver a galharda resistência daquele ser tradicional. Infelizmente já nada lá estava, apenas um estaleiro de obras. O que serviu de consolo foi saber que ali será uma nova creche da Misericórdia de Lisboa. Na fúria demolidora e descaracterizadora que assola as nossas cidades a boa acção é a excepção.
Da Imprensa Castrada
Uma das razões que motivaram o meu retorno ao mundo dos blogues foi a enjoativa mas generalizada insistência dos Media em esmiuçar os pormenores e desencantar lateralidades conexas no caso do assassínio de Carlos Castro. Um homicídio tem relevância pública, quem quer que seja a vítima. Mas a punição dele esgota-a. Abrir noticiários semanas a fio, com vinte e tal minutos de opiniões sobre as personalidades dos envolvidos é indecoroso, sabendo-se que, na mesma semana, dum morticínio no mesmo País, resultara gravemente ferida uma Congressista com visibilidade; e de tanto as motivações como as reacções a esse facto estarem cobertas de importância para a vida pública.
Porém, os nossos noticiaristas televisivos, inferiormente, pior decidiram não lhe conceder mais do que uma breve menção.
Porém, os nossos noticiaristas televisivos, inferiormente, pior decidiram não lhe conceder mais do que uma breve menção.
Quanto à substância da conduta do Sr. Seabra, só pode encontrar nela novidade quem não esteja ciente de que um ambicioso fazendo carreira a dar o corpo, nem tanto ao manifesto como a "many festas", é coisa velha como o Mundo. A única variação sobre o tema reside em, na altura de a homossexualidade sair do tal armário, qual prenúncio de quotas, estarem reservadas linhas demasiadas à publicidade da facultação de partes menos haaam vanguardísticas do físico, num jeito de justificação das condutas criminosas.
A continuarmos assim, sacar notícias de interesse aos nossos órgãos de informação, só a saca-rolhas. Aaaaai! O que eu fui dizer, desculpem-me, ando enferrujado, é o que é...
A continuarmos assim, sacar notícias de interesse aos nossos órgãos de informação, só a saca-rolhas. Aaaaai! O que eu fui dizer, desculpem-me, ando enferrujado, é o que é...
Subscrever:
Mensagens (Atom)








