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Não esquecemos Pedro Varela
Passam hoje sete meses sobre a prisão de Pedro Varela. Pode discordar-se das ideias, mas é (ou devia ser) impossível esconder a indignação. Varela foi condenado a um ano e três meses de prisão porque vendia livros.
Caldo de Cultura (XVIII)
Para aproveitar o calor estival, o almoço das quintas mudou-se excepcionalmente para uma esplanada lisboeta. A mudança teve diversas vantagens, entre as quais a possibilidade de admirar as curvas da cidade, cuja beleza nunca deixa de nos surpreender. Presentes estiveram três Jovens: o Duarte, o João e o Miguel, com os respectivos livros. Como habitualmente, o desafio é descobrir quem levou o quê.
Carlos
Carlos tem tudo para se tornar um objecto de culto do cinema europeu. Rodado em nove países, falado em oito línguas diferentes, apresenta um realismo e um detalhe assombrosos para uma obra que se propõe atravessar 30 anos da vida do terrorista. Para isso contribui o talento e o magnetismo de Édgar Ramírez, o actor venezuelano que dá corpo a Carlos e que será sem dúvida um dos maiores actores do mundo num futuro próximo. Contribui também o facto deste filme fugir a julgamentos, tão comuns como indesejáveis neste género cinematográfico.
Pelo meio, há uma ideia que fica, principalmente para alguém da minha geração, que aprendeu a ver a Guerra Fria como coisa do passado. Com uma ou outra excepção, o terrorismo europeu acabou com a queda do Muro. No entanto, durante décadas, à esquerda como à direita, grupos radicais foram alimentados e apoiados pelas super-potências da Guerra Fria como parte de diferentes estratégias de tensão. Apesar da imagem romântica de combatente internacionalista, Carlos — como tantos outros militantes mais ou menos idealistas da sua geração — nunca passou de uma marioneta em jogos de poder.
Da excepção à regra
No último sábado, a revista Única, suplemento do semanário Expresso, publicou uma entrevista com o poeta Nuno Júdice. Apesar de orientada pela inenarrável Clara Ferreira Alves, a conversa tem algum interesse. Chamo conversa porque a frequência com que esta loira do regime (não no sentido que Menezes cunhou o termo, atenção!) introduz as suas próprias opiniões é assustadora. Mesmo assim, não resisto a partilhar aqui o seguinte excerto:
"E não achas que esse silêncio faz perder influência? E a influência da literatura era importante na formação do pensamento político. Lembramo-nos do Mitterrand. Ou, na América do Norte, da influência de gente como Norman Mailer, Saul Bellow. Dos escritores da América Latina. Acabou. Esse afastamento do escritor vem de um pensamento politicamente correcto que tem vindo a ganhar peso no mundo, impondo-se. O escritor quando fala e se empenha está a assumir uma posição individual, e quando esse olhar é formatado pelo politicamente correcto ninguém se atreve. Como é que um escritor se vai atrever, por exemplo, a justificar um acto terrorista num determinado país? Esse acto, há 40 ou 50 anos, seria elogiado pelo mundo intelectual de esquerda, que elogiava as bombas que rebentavam no Vietname e no Camboja, ou nos cafés de Paris, e que faziam vítimas. Essas vítimas eram justificadas por uma ideologia, um sonho utópico. Hoje, essa atitude iria condenar o escritor e proscrevê-lo.Em primeiro lugar, se já não o suspeitássemos, ficamos a saber que o horizonte de Clara Ferreira Alves não vai muito além do seu quintal. Ao afirmar que «tradicionalmente, os escritores e artistas são» de esquerda e que o resto são algumas bizarras excepções, a cronista ignora que esses foram os artistas e escritores que sobreviveram à nova ordem que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Esquece-se (ou não sabe) que os regimes que perderam a guerra tinham o apoio de inúmeros intelectuais, escritores e artistas de inegável talento, que depois de 1945 foram presos, fuzilados ou silenciados. No entanto, o mais interessante da entrevista é a afirmação de Nuno Júdice: «nunca vivemos tão livres, mas o pensamento é hoje muito pouco livre». De facto, a actual liberdade de costumes contrasta com a exiguidade do pensamento. Existe uma margem oficial de pensamento que formatou as páginas dos jornais, o espaço de comentário nas televisões e as estantes das livrarias, que determina o que é certo ou errado dizer. Quem ousa pensar fora da caixa é imediatamente catalogado de marginal e corre o risco de ficar infrequentável para sempre. Estamos sempre mais perto de 1984 do que pensaríamos.
Pensar contra a corrente é da essência da liberdade intelectual... Sim. Nunca vivemos tão livres, mas o pensamento é hoje muito pouco livre.
Tradicionalmente, os escritores e artistas são dessa área, com aquelas excepções, algumas trágicas, que conhecemos. Céline, Pound e por aí fora. Viste o que aconteceu com o Céline, em França. Proscrito. Exacto. Acho um erro tremendo. Céline, quando escrevia aqueles panfletos, estava num contexto, e era um mundo louco. Ele foi embarcado, como Ezra Pound. Não podemos julgar com critérios actuais o que foi vivido por outros noutro tempo, por abominável que possa parecer. Ao escrever, o Céline estava a usar de uma liberdade total. Como o Marquês de Sade, com as matanças e orgias dos seus romances."
Estado da democracia em França
O gráfico foi retirado do blogue François Desouche e, apesar das óbvias limitações, exprime bem a diferença entre as escolhas políticas dos franceses nas últimas três eleições e a composição da Assembleia Nacional. Vale a pena analisar a representatividade deste sistema eleitoral, que privilegia de forma desproporcionada os dois maiores partidos do espectro, marginalizando todas as formações políticas concorrentes. Nesse aspecto, o caso do Front National é particularmente evidente. Trata-se de um partido que elege regularmente deputados para o Parlamento Europeu (neste momento são três), mas que não consegue ter um único representante na Assembleia Nacional.
Almas Ardentes
«O Amor Separar-nos-á», Os Golpes.
Acabadinho de chegar, está aí o novo teledisco d'Os Golpes. Se é certo que a escolha do nome do tema é infeliz (achei-o da primeira vez que ouvi — não havia necessidade de uma colagem tão evidente ao clássico dos Joy Division), a produção e a própria música dão a volta ao problema. Extraído do meio-disco «G», este single anuncia novos trilhos para a banda. A música portuguesa volta a mostrar que está bem e recomenda-se.
Os Loucos Estão Certos
«Os Loucos Estão Certos», Diabo na Cruz.
Os Diabo na Cruz foram uma das sensações do Verão passado e prova disso foi o excelente concerto no festival Sudoeste. Num final de tarde, uma multidão de jovens foi-se juntando no palco secundário para cantar em conjunto com este super-grupo, que junta o rock ao folclore numa mistura castiça e bem portuguesa. Durante a actuação houve até tempo para um cover do tema «Lenga Lenga» dos Gaiteiros de Lisboa, conjunto que curiosamente abriu o Sudoeste em 2007 num final de tarde bem parecido. Porque numa época como a que vivemos nunca é demais lembrar que «os loucos estão certos», deixo aqui esta versão acústica do êxito dos Diabo na Cruz.
Caldo de Cultura (XVII)
Quinta-feira é dia de almoço dos Jovens do Restelo. Para além dos residentes Duarte, João, Miguel e Paulo, o encontro desta semana contou novamente com a presença do Luís Afonso, o tal Último Nan Ban Jin que por estas alturas aproveita o regresso temporário à Capital do Império. Mas não foi a única presença extraordinária. Desta vez compareceu também o Humberto Nuno Oliveira, estimado confrade e grande apreciador da cervejaria que serve de base a esta conspiração. Como é da praxe, cada um trouxe o seu livro. Mais uma vez, cabe aos leitores descobrir quem levou o quê.
Prata da República
Para aqueles que insistem em chamar (erradamente) de fascismo o período do Estado Novo português, trago aqui a moeda comemorativa da implantação da república, cunhada em 1914. É certo que o fascismo, enquanto ideal e regime, ainda estava para nascer, mas não deixa de ser curiosa a utilização do fascio pelos republicanos portugueses.
Uma reunião nada Clara
Podia ser uma bela piada, mas tudo indica que é mesmo verdade. Parece que este ano o contingente português no encontro do grupo Bilderberg inclui, para além do habitual Francisco Pinto Balsemão e do conselheiro de Passos-Coelho António Nogueira Leite, a ilustre Clara Ferreira Alves. A lista refere-se à personagem como escritora e «CEO» da Claref Lda. Uma rápida busca no Google indica que a Claref é uma sociedade unipessoal com sede num rés-do-chão da Rua da Artilharia Um, dedicada à «Produção de Filmes, de Vídeos e de Programas de Televisão». Meus amigos, eu não acredito em bruxas, mas...
Caldo de Cultura (XVI)
Esta semana, o almoço das quintas contou com duas presenças muito especiais: nada mais nada menos do que Lourenço Morais e Luís Afonso, também conhecido como o Último Nan Ban Jin. Posso dizer que o jovem Lourenço estava incluído nos planos desde que surgiu a ideia de lançar este blogue. Só que, durante uns tempos, andou estranhamente desaparecido. Qual filho pródigo, regressou esta quinta-feira ao convívio e recebeu de imediato o convite para ingressar no blogue. Quanto ao Luís Afonso, é o autor do aclamado The Last Nan Ban Jin. Interrompendo o seu exílio japonês, aproveitou o regresso à Metrópole para honrar com a sua presença o almoço das quintas-feiras. Ambos trouxeram livros que, juntando aos volumes dos jovens residentes, constituem o desafio desta semana. Afinal, quem levou o quê?
Os pequenos partidos
Nunca percebi muito bem o desprezo com que as emissões especiais das eleições tratam os pequenos partidos, ou seja aqueles que não têm representação parlamentar. Nas Legislativas de domingo o desprezo foi mais uma vez evidente, e nenhum dos canais se dignou a comentar ou sequer mostrar os resultados desses partidos. Quem não conhecer a paisagem política portuguesa corre o risco de pensar que se trata de uma corrida a cinco. O que não corresponde minimamente à verdade.
PCTP/MRPP: O i apelidou Garcia Pereira o rei do Portugal dos Pequeninos, visto que o MRPP é o mais votado dos partidos sem representação parlamentar. Em 2009, ultrapassou a barreira dos 50.000 votos (52.632 para ser mais exacto), o que garantiu subvenção estatal para cobrir as despesas da campnha. Dois anos depois, o partido consolidou o seu resultado e cresceu, conquistando 62.496 votos. As hipóteses de eleger um deputado continuam remotas, até porque nos principais centros urbanos o PCTP/MRPP não conseguiu ser o pequeno partido mais votado (Lisboa, Setúbal, Faro, Coimbra, por exemplo). O que nos leva ao...
PAN: A surpresa da noite. Criado no início de 2011, era a primeira vez que o Partido dos Animais e da Natureza se candidatava a umas eleições. E que estreia! Com 57.641 votos, calou muitos que não previam mais do que uma dezena de milhar de votos e garantiu a ambicionada subvenção estatal. Com um programa vago em torno da defesa dos animais e do fim das touradas, o PAN contou com o apoio de várias figuras públicas que deram a cara pelo partido. E embora tenha ficado aquém da eleição de Paulo Borges, o PAN conseguiu ser o pequeno partido mais votado em alguns grandes centros urbanos, onde pode ter sido um dos responsáveis pelo esvaziamento do Bloco de Esquerda.
MPT: Após a coligação desastrosa com o Partido Humanista nas Legislativas 2009 (rendeu 12.025 votos), o MPT obteve nestas eleições um resultado semelhante ao das Europeias 2009 (23.415 votos), com 22.498 votos. Se pode ser considerado um bom resultado tendo em conta a modesta campanha do partido, é certamente uma má notícia para Pedro Quatin Graça, cujo objectivo eram os 50.000 votos para cobrir as despesas de campanha.
MEP: Um dos derrotados da noite. Se não bastasse a experiência MMS, está provado que não basta atirar dinheiro à campanha, com cobertura da imprensa, outdoors e autocarros de voluntários, para eleger deputados. Com 21.751 votos (em 2009 teve 25.335), o projecto pessoal de Rui Marques falhou em toda a linha e não conseguiu sequer chegar a metade dos votos necessários para garantir subvenção estatal. O presidente já pediu a demissão e agora resta saber o que vai acontecer a este partido cujos objectivos nunca ninguém percebeu muito bem.
PNR: Silenciosamente, o partido nacionalista vai alargando os seus horizontes. De 2009 para cá, o PNR cresceu dos 11.614 para os 17.621 votos e é um dos únicos partidos portugueses que nunca viu decrescer a sua votação. Passada a fase mediática, o partido de José Pinto-Coelho tem conseguido promover um crescimento sólido e sustentado por todo o país, ultrapassando partidos com mais historial e projecção mediática, como o PPM e o PTP. É sabido que o grande objectivo dos nacionais-renovadores é a eleição de um deputado, mas este resultado só pode ser considerado animador.
PTP: O número do palhaço só funcionou uma vez. Após a surpresa das Presidenciais, em que obteve quase 200.000 votos, José Manuel Coelho não foi além dos 16.724. O que, mesmo assim, representa uma subida substancial face ao resultado do PTP em 2009 (4.789 votos). Nem sequer na Madeira o Tiririca português salvou a votação do PTP, não indo além da sétima força política (em treze).
PPM: A cara bonita de Aline Gallasch-Hall espalhada por Lisboa não bastou para convencer os eleitores. O PPM manteve praticamente a votação de 2009 (14.999 votos), com 14.982 votos. O que significa que o partido monárquico atingiu o seu tecto eleitoral. Um resultado triste para um partido histórico português, que chegou a pertencer a uma coligação governamental. Está na altura de mudar de vida.
PND: Mais uma força política agonizante. Fracassado o projecto de Manuel Monteiro de um partido conservador-liberal-populista, o PND está reduzido a uma frente de inimigos de Alberto João Jardim. Depois de um dos piores tempos de antena que Portugal já viu (é essa a Nova Democracia?), perdeu quase metade da votação de 2009, não indo além dos 11.671 votos, um terço dos quais na Madeira.
PPV: É questionável o sentido de um partido que faz do seu motivo de existência a revogação da lei do Aborto. Mesmo assim, o PPV manteve praticamente a votação de 2009 (8.485 votos), com 8.210 votos.
POUS: É célebre a tenacidade do partido de Carmelinda Pereira. E a insistência dá frutos, pelo menos em certa medida. Nestas eleições, o POUS cresceu 400 votos, passando dos 4.320 para os 4.601 votos. Além disso, deixou de ser o último dos pequenos partidos.
PDA: Para estas eleições, o PDA apostou numa aliança regionalista com os subscritores do Partido do Norte. No entanto, o resultado não foi famoso e rendeu apenas 4.531 votos. Prova de que Portugal é pequeno demais para regionalismos?
PH: Por último, o Partido Humanista, que parece estar em queda livre. Se nas Europeias 2009 obteve 16980 votos, a coligação com o MPT rendeu 12025 votos nas Legislativas seguintes. Apesar disso, nestas eleições o PH não foi além dos 3.528 votos, o que é um resultado francamente mau, até para um pequeno partido.
PCTP/MRPP: O i apelidou Garcia Pereira o rei do Portugal dos Pequeninos, visto que o MRPP é o mais votado dos partidos sem representação parlamentar. Em 2009, ultrapassou a barreira dos 50.000 votos (52.632 para ser mais exacto), o que garantiu subvenção estatal para cobrir as despesas da campnha. Dois anos depois, o partido consolidou o seu resultado e cresceu, conquistando 62.496 votos. As hipóteses de eleger um deputado continuam remotas, até porque nos principais centros urbanos o PCTP/MRPP não conseguiu ser o pequeno partido mais votado (Lisboa, Setúbal, Faro, Coimbra, por exemplo). O que nos leva ao...
PAN: A surpresa da noite. Criado no início de 2011, era a primeira vez que o Partido dos Animais e da Natureza se candidatava a umas eleições. E que estreia! Com 57.641 votos, calou muitos que não previam mais do que uma dezena de milhar de votos e garantiu a ambicionada subvenção estatal. Com um programa vago em torno da defesa dos animais e do fim das touradas, o PAN contou com o apoio de várias figuras públicas que deram a cara pelo partido. E embora tenha ficado aquém da eleição de Paulo Borges, o PAN conseguiu ser o pequeno partido mais votado em alguns grandes centros urbanos, onde pode ter sido um dos responsáveis pelo esvaziamento do Bloco de Esquerda.
MPT: Após a coligação desastrosa com o Partido Humanista nas Legislativas 2009 (rendeu 12.025 votos), o MPT obteve nestas eleições um resultado semelhante ao das Europeias 2009 (23.415 votos), com 22.498 votos. Se pode ser considerado um bom resultado tendo em conta a modesta campanha do partido, é certamente uma má notícia para Pedro Quatin Graça, cujo objectivo eram os 50.000 votos para cobrir as despesas de campanha.
MEP: Um dos derrotados da noite. Se não bastasse a experiência MMS, está provado que não basta atirar dinheiro à campanha, com cobertura da imprensa, outdoors e autocarros de voluntários, para eleger deputados. Com 21.751 votos (em 2009 teve 25.335), o projecto pessoal de Rui Marques falhou em toda a linha e não conseguiu sequer chegar a metade dos votos necessários para garantir subvenção estatal. O presidente já pediu a demissão e agora resta saber o que vai acontecer a este partido cujos objectivos nunca ninguém percebeu muito bem.
PNR: Silenciosamente, o partido nacionalista vai alargando os seus horizontes. De 2009 para cá, o PNR cresceu dos 11.614 para os 17.621 votos e é um dos únicos partidos portugueses que nunca viu decrescer a sua votação. Passada a fase mediática, o partido de José Pinto-Coelho tem conseguido promover um crescimento sólido e sustentado por todo o país, ultrapassando partidos com mais historial e projecção mediática, como o PPM e o PTP. É sabido que o grande objectivo dos nacionais-renovadores é a eleição de um deputado, mas este resultado só pode ser considerado animador.
PTP: O número do palhaço só funcionou uma vez. Após a surpresa das Presidenciais, em que obteve quase 200.000 votos, José Manuel Coelho não foi além dos 16.724. O que, mesmo assim, representa uma subida substancial face ao resultado do PTP em 2009 (4.789 votos). Nem sequer na Madeira o Tiririca português salvou a votação do PTP, não indo além da sétima força política (em treze).
PPM: A cara bonita de Aline Gallasch-Hall espalhada por Lisboa não bastou para convencer os eleitores. O PPM manteve praticamente a votação de 2009 (14.999 votos), com 14.982 votos. O que significa que o partido monárquico atingiu o seu tecto eleitoral. Um resultado triste para um partido histórico português, que chegou a pertencer a uma coligação governamental. Está na altura de mudar de vida.
PND: Mais uma força política agonizante. Fracassado o projecto de Manuel Monteiro de um partido conservador-liberal-populista, o PND está reduzido a uma frente de inimigos de Alberto João Jardim. Depois de um dos piores tempos de antena que Portugal já viu (é essa a Nova Democracia?), perdeu quase metade da votação de 2009, não indo além dos 11.671 votos, um terço dos quais na Madeira.
PPV: É questionável o sentido de um partido que faz do seu motivo de existência a revogação da lei do Aborto. Mesmo assim, o PPV manteve praticamente a votação de 2009 (8.485 votos), com 8.210 votos.
POUS: É célebre a tenacidade do partido de Carmelinda Pereira. E a insistência dá frutos, pelo menos em certa medida. Nestas eleições, o POUS cresceu 400 votos, passando dos 4.320 para os 4.601 votos. Além disso, deixou de ser o último dos pequenos partidos.
PDA: Para estas eleições, o PDA apostou numa aliança regionalista com os subscritores do Partido do Norte. No entanto, o resultado não foi famoso e rendeu apenas 4.531 votos. Prova de que Portugal é pequeno demais para regionalismos?
PH: Por último, o Partido Humanista, que parece estar em queda livre. Se nas Europeias 2009 obteve 16980 votos, a coligação com o MPT rendeu 12025 votos nas Legislativas seguintes. Apesar disso, nestas eleições o PH não foi além dos 3.528 votos, o que é um resultado francamente mau, até para um pequeno partido.
Caldo de Cultura (XV)
É o regresso dos almoços das quintas e dos azulejos. Na imagem estão quatro livros, correspondentes a cada um dos Jovens: João, Duarte, Miguel e Paulo. Num almoço em que se fizeram sondagens e projecções, o desafio é o mesmo de sempre: quem levou o quê?
Vira o disco e troca o passo
Ontem, o ciclista espanhol Alberto Contador venceu pela segunda vez o Giro d'Italia, naquela que é a sua sexta vitória nos chamados Grand Tours. Até aí nada de novo. É sabido que o homem de Pinto é o maior ciclista da actualidade. O curioso desta história é que na cerimónia de consagração, em Milão, a organização da prova se enganou e pôs a tocar o hino oficioso franquista. À excepção da letra, ausente da versão oficial, o tema é em tudo idêntico ao hino espanhol, conhecido como Marcha Real.
A letra presente na versão utilizada pela organização foi escrita pelo poeta gaditano José María Pemán em 1928, durante o regime de Miguel Primo de Rivera, sendo adoptada com algumas modificações como hino dos rebeldes durante a Guerra Civil.
No entanto, esta não é a primeira vez que Contador sofre este tipo de enganos. Nem sequer a mais grave. Em 2009, quando venceu o Tour de France, a organização da prova mandou tocar o hino nacional... dinamarquês.
E o Atlético subiu mesmo
Ontem houve festa rija em Alcântara, depois da vitória por uma bola frente ao Padroense. Assim, com duas vitórias no playoff de apuramento, o Atlético Clube de Portugal já assegurou um lugar na Liga de Honra para a próxima época. Como escrevi anteriormente, é o renascimento de um clube histórico de Lisboa.
Libertem a nossa Praça
A Praça D.Pedro IV, mais conhecida por Rossio, é uma das zonas mais emblemáticas de Lisboa e foi recentemente feita refém por um grupo de manifestantes. Está na hora de devolverem a Praça aos seus legítimos proprietários, ou seja, todos nós. Libertem a nossa Praça!
Quem é o louco?
«Psicologia», Feromona.
Não sendo particular entusiasta de nenhum dos partidos com assento parlamentar, não consigo compreender como é que (ainda) há gente disposta a votar no senhor Pinto de Sousa. Fico na dúvida: será ele o caso de estudo, pela admirável capacidade de sobreviver e esgueirar-se a todo o tipo de desaires, suspeitas e acusações, ou serão os portugueses que acreditam nas suas patranhas?
Objectos de culto
A igreja de São Julião, em Lisboa, tem uma história curiosa. Arrasada pelo Terramoto de 1755, foi reedificada em 1810, com um traço típico pombalino. Em 1933, a Confraria do Santíssimo Sacramento da freguesia de São Julião vendeu o edifício ao Banco de Portugal para custear a construção da nova igreja de Nossa Senhora de Fátima. Como consequência, em 1934 a igreja foi encerrada ao culto e dessacralizada. Até há pouco tempo serviu de garagem, o que, sempre que lá passava, me provocava um certo desconforto. Ver automóveis a atravessar a porta de uma igreja é uma visão mais típica de uma Segunda República Espanhola. Com as obras da sede do Banco de Portugal que entretanto começaram, o quarteirão está a sofrer uma grande intervenção. Entre os planos, está previsto que o corpo da igreja dê lugar ao futuro Museu do Dinheiro. Não deixa de ser irónico que uma antiga igreja seja agora transformada em local de culto ao vil metal. Sinal dos tempos.
Um palco invulgar
«Frio Bafio», peixe:avião.
Há sítios invulgares para tocar música. Escreve-vos alguém que já deu um concerto num lagar. No entanto, os protagonistas deste vídeo são peixe:avião, que não só tocaram numa livraria bracarense como decidiram apresentar o tema literalmente no meio dos livros. A ideia não deixa de ter o seu encanto. Quanto à faixa, pertence ao disco de estreia editado em 2008, «40.02».
Sanjo made in China?
Embora já não sejam do meu tempo, aprendi desde miúdo a olhar as sapatilhas Sanjo com respeito e admiração. Em grande parte devido à caixa de ténis brancos ainda por estrear que um dia encontrei no sótão dos meus avós. Foi por isso com grande entusiasmo que recebi a notícia de que as sapatilhas Sanjo iam voltar a ser comercializadas. Só que o entusiasmo deu lugar à desilusão quando percebi que estas novas sapatilhas são fabricadas, não em São João da Madeira, mas na China (!). A justificação oficial é que não existe em Portugal maquinaria adequada para produzir este tipo de calçado. Um argumento muito difícil de engolir, sabendo que as Sanjo originais começaram a ser produzidas na década de 40 e que Portugal é ainda um dos maiores exportadores europeus de calçado (as sapatilhas anarquistas mais conhecidas do mundo são produzidas em Felgueiras, por exemplo). Por muito que me custe, a solução é o boicote: não comprarei umas Sanjo enquanto não forem produzidas em Portugal.
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